18 de julho de 2015

Comentários de João 12

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.
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1 Veio, pois, Jesus seis dias antes da páscoa a Betânia, onde estava Lázaro, o que havia morrido, a quem ressuscitara dos mortos. 
2 Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia; e Lázaro era um dos que juntamente com ele estavam sentados [à mesa] . 
3 Tomando então Maria um arrátel de óleo perfumado de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e limpou os pés dele com seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do óleo perfumado. 
4 Então disse Judas de Simão Iscariotes, um de seus discípulos, o que o trairia: 
5 Por que se não vendeu este óleo perfumado por trezentos dinheiros, e se deu aos pobres? 
6 E isto disse ele, não pelo cuidado que tivesse dos pobres; mas porque era ladrão, e tinha a bolsa, e trazia o que se lançava [nela] . 
7 Disse pois Jesus: Deixa-a; para o dia de meu sepultamento guardou isto. 
8 Porque aos pobres sempre os tendes convosco; porém a mim não me tendes sempre. 
9 Muita gente dos judeus soube pois, que ele estava ali; e vieram, não somente por causa de Jesus, mas também para verem a Lázaro, a quem ressuscitara dos mortos. 
10 E os chefes dos sacerdotes se aconselharam de também matarem a Lázaro, 
11 Porque muitos dos judeus iam por causa dele, e criam em Jesus. 
12 No dia seguinte, ouvindo uma grande multidão, que viera à festa, que Jesus vinha a Jerusalém, 
13 Tomaram ramos de plantas e lhe saíram ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito aquele que vem no nome do Senhor, o Rei de Israel! 
14 E Jesus achou um jumentinho, e sentou-se sobre ele, como está escrito: 
15 Não temas, ó filha de Sião; eis que teu Rei vem sentado sobre o filhote de uma jumenta. 
16 Porém seus discípulos não entenderam isto ao princípio; mas sendo Jesus já glorificado, então se lembraram que isto dele estava escrito, e [que] isto lhe fizeram. 
17 A multidão pois, que estava com ele, testemunhava, que a Lázaro chamara da sepultura, e o ressuscitara dos mortos. 
18 Pelo que também a multidão lhe saiu ao encontro, porque ouvira que fizera este sinal. 
19 Disseram pois os fariseus entre si: Vedes que nada aproveitais? Eis que o mundo vai após ele. 
20 E havia alguns gregos dos que haviam subido para adorarem na festa. 
21 Estes pois vieram a Filipe, que era de Betsaida de Galileia, e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queríamos ver a Jesus. 
22 Veio Filipe, e disse-o a André; e André então e Filipe o disseram a Jesus. 
23 Porém Jesus lhes respondeu, dizendo: Chegada é a hora em que o Filho do homem será glorificado. 
24 Em verdade, em verdade vos digo, se o grão de trigo, ao cair na terra, não morrer, ele fica só; porém se morrer, dá muito fruto. 
25 Quem ama sua vida a perderá; e quem neste mundo odeia sua vida, a guardará para a vida eterna. 
26 Se alguém me serve, siga-me; e onde eu estiver, ali estará também meu servo. E se alguém me servir, o Pai o honrará. 
27 Agora minha alma está perturbada; e que direi? Pai, salva-me desta hora; mas por isso vim a esta hora. 
28 Pai, glorifica teu Nome. Veio pois uma voz do céu, [que dizia] : E já [o] tenho glorificado, e outra vez [o] glorificarei. 
29 A multidão pois que ali estava, e [a] ouviu, dizia que havia sido trovão. Outros diziam: Algum anjo falou com ele. 
30 Respondeu Jesus e disse: Esta voz não veio por causa de mim, mas sim por causa de vós. 
31 Agora é o juízo deste mundo; agora será lançado fora o príncipe deste mundo. 
32 E eu, quando for levantado da terra, trarei todos a mim. 
33 (E isto dizia, indicando de que morte [ele] morreria.) 
34 Respondeu-lhe a multidão: Temos ouvido da Lei que o Cristo permanece para sempre; e como tu dizes que convém que o Filho do homem seja levantado? Quem é este Filho do homem? 
35 Disse-lhes pois Jesus: Ainda por um pouco de tempo a luz está convosco; andai enquanto tendes luz, para que as trevas vos não apanhem. E quem anda em trevas não sabe para onde vai. 
36 Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas falou Jesus, e indo-se, escondeu-se deles. 
37 E ainda que perante eles tinha feito tantos sinais, não criam nele. 
38 Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que disse: Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem o braço do Senhor foi revelado? 
39 Por isso não podiam crer, porque outra vez Isaías disse: 
40 Os olhos lhes cegou, e o coração lhes endureceu; para não acontecer que vejam dos olhos, e entendam do coração, e se convertam, e eu os cure. 
41 Isto disse Isaías, quando viu sua glória, e falou dele. 
42 Contudo ainda até muitos dos chefes também creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus; por não serem expulsos da sinagoga. 
43 Porque amavam mais a glória humana do que a glória de Deus. 
44 E exclamou Jesus, e disse: Quem crê em mim, não crê [somente] em mim, mas [também] naquele que me enviou. 
45 E quem vê a mim, vê a aquele que me enviou. 
46 Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim, não permaneça em trevas. 
47 E se alguém ouvir minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque não vim para julgar o mundo, mas sim para salvar o mundo. 
48 Quem me rejeitar e não receber minhas palavras, já tem quem o julgue: a palavra que eu tenho falado, essa o julgará no último dia. 
49 Porque eu não tenho falado de mim mesmo; porém o Pai que me enviou, ele me deu mandamento do que devo dizer, e do que devo falar. 
50 E sei que seu mandamento é vida eterna. Portanto o que eu falo, falo assim como o Pai tem me dito.



12.6 porque era ladrão. Embora Judas roubasse o que era ofertado, nem por isso o ministério terreno de Jesus como um todo estava corrompido. Judas era o único culpado. Da mesma forma, infelizmente nos dias de hoje há pastores e tesoureiros de igrejas que fazem o mesmo que Judas, e que tomam para si aquilo que foi dado de oferta, acumulando tesouros na terra ao invés de investir no avanço do Reino de Deus. Tais pessoas serão certamente julgadas por Deus e condenadas pelo crime cometido, porém não é certo dizer que todo o ministério da Igreja está contaminado por causa de uma ou outra pessoa que faz isso. Se há pastores ladrões, a solução não é apostatar da fé, mudar de religião ou virar ateu, mas simplesmente ser você mesmo um exemplo positivo em meio aos exemplos negativos; seja um trigo em meio ao joio, e deixe que Deus fará justiça sobre o joio.

12.8 os pobres sempre tendes convosco. Jesus não estava sendo contra a ajuda aos pobres nesta ocasião, mas apenas estabelecendo prioridades. Ele elogiou a oferta de uma moedinha da viúva pobre, e rejeitou as grandes ofertas dos ricos (Lc.21:4). Ele “sentia compaixão das multidões, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor” (Mt.9:36), e multiplicou-lhes os pães e peixes (Mc.6:41-44). Ele também pedia que se vendesse tudo e desse aos pobres (Lc.18:22-23), e tinha um fundo de onde tirava recursos para ajudá-los (Jo.13:29). Uma das marcas diferenciais do ministério de Jesus era que “aos pobres é anunciado o evangelho” (Mt.11:5), e até quando falava de salvação Jesus se colocava a favor dos “pequeninos” e menos favorecidos, quando disse que “o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram” (Mt.25:40). O que estava em jogo nesta ocasião não era ignorar os pobres, mas colocar a si mesmo como prioridade absoluta. Em primeiro lugar vem “o Reino de Deus e a sua justiça” (Mt.6:33), que ali estava na pessoa de Jesus, e em segundo lugar vem a ajuda social na terra. Primeiro está a salvação da alma, e só depois vem o bem estar do corpo. Há igrejas que caem nos dois extremos: ou elas quase não falam de salvação e se transformam em uma ONG sem objetivos maiores, ou só falam de salvação mas não ajudam os pobres nem com uma moedinha. A verdadeira Igreja do Deus vivo é aquela que prioriza a salvação eterna, mas não descuida da ajuda social.

12.13 e clamavam: Hosana! É possível que parte desta multidão estivesse envolvida poucos dias depois no episódio da crucificação de Jesus. Em geral, as multidões que acompanhavam Jesus não demonstravam firmeza de fé; elas estavam mais preocupadas em receber sua própria cura, milagre ou providência física do que qualquer outra coisa. Logo, bastava que Jesus contrariasse alguma de suas opiniões, e ela lhes virava as costas. Em João 6, as multidões seguiam Jesus porque este lhes havia multiplicado os pães e peixes (Jo.6:26), mas depois de breve tempo ela lhe deu as costas por não suportar a mensagem espiritual de Jesus (Jo.6:66).

12.20 alguns gregos. Os gregos eram a elite intelectual da época, o mais alto nível de retórica e filosofia, e agora estavam procurando Jesus, presumivelmente para levá-lo à Grécia e integrá-lo a esta elite intelectual, que é o que todo bom mestre de moral mais sonharia. No entanto, Jesus recusa este pedido (v.23), porque sua missão não era de ser apenas um “bom mestre de fé e moral”, nem tampouco era de ser mais reconhecido ou famoso entre os homens, mas era cumprir a vontade de Deus para a salvação do homem. Jesus não estava buscando a glória dos homens ou o reconhecimento deles, mas a glória de Deus e o reconhecimento do Pai, e preferiu seguir sua missão de morte numa cruz (que se cumpriria dentro de poucos dias) do que buscar um atalho mais fácil para a glória dos homens e sua própria fama.

12.24 se morrer, dá muito fruto. O princípio espiritual por detrás disso é que precisamos morrer para nós mesmos se quisermos dar fruto para o Reino. Quando sujeitamos a nossa vontade pessoal à vontade de Deus, é aí que Ele começa a fazer a obra em nossa vida, e a nos usar como instrumentos dEle.

12.25 quem ama a sua vida a perderá. V. nota em Lc.9:24.

12.28 veio pois uma voz do céu. V. nota em Jo.11:41.

12.29 dizia que havia sido trovão. Só os que tem o coração aberto para ouvir a voz de Deus é que estão suscetíveis a ouvi-lo. Aqueles que já fecharam seu próprio coração irão sempre tentar buscar outras “hipóteses” e “possibilidades” para deixar o sobrenatural de lado, mesmo que para isso seja necessário negar o óbvio.

12.30 por causa de vós. Em outras palavras, não era Jesus que precisava do sinal, mas o povo incrédulo.

12.31 agora será lançado fora o príncipe deste mundo. I.e, Satanás, a partir do momento da morte e ressurreição de Cristo, perderia o direito legal sobre a humanidade, conquistado por ele através do pecado de Adão.

12.32 trarei todos a mim. Não significa que todos serão salvos, mas que a salvação estará disponível e aberta para todos os que aceitarem Cristo como o salvador único e suficiente de suas vidas.

12.34 o Cristo permanece para sempre. Os judeus estavam confundindo as profecias do AT, pensando que o “permanecer para sempre” implicava em não morrer, quando, na verdade, implicava em ressuscitar para viver para sempre, uma vez que estava bem claro que o Messias haveria de morrer pelo povo (Is.53:8-9). Jesus explica que o Filho do homem teria que ser “levantado”, i.e, passar por uma ressurreição dentre os mortos.

12.37 não criam nele. Não porque Deus tivesse predestinado a incredulidade, o que seria realmente maldoso, mas porque aquelas próprias pessoas se recusaram a aceitar a oferta gratuita de salvação (v. nota em Rm.10:21). Deus, em sua presciência, já tinha conhecimento prévio disso e profetizou tal acontecimento através do profeta Isaías, o que teve seu cumprimento nesta ocasião (v.38).

12.43 amavam mais a glória humana do que a glória de Deus. Isso é muito mais comum do que se pensa. Ainda hoje há muitos que sabem a verdade, mas preferem suprimi-la ou omiti-la por medo daquilo que as pessoas pensariam dela caso ela dissesse abertamente a verdade. Querendo agradar os homens e temendo a desaprovação do grupo em que se encontram, acabam se tornando verdadeiros inimigos de Deus, para quem realmente devemos prestar contas (Tg.4:4; Rm.14:12). Deus quer que digamos a verdade; não o que os homens querem ouvir, mas o que eles precisam ouvir – ainda que isso custe caro para nós.

12.45 quem vê a mim, vê a aquele que me enviou. Não significa que o Pai e Jesus fossem a mesma pessoa (v. nota em Jo.11:41), o que é claramente refutado no verso anterior, que diz que o Pai enviou Jesus, e que quem crê nele não crê somente nele, mas também no Pai. O que Jesus estava dizendo é que vê-lo equivale a ver o Pai, no sentido de que ambos compartilham da mesma natureza divina. Ambos tinham a mesma mensagem e estavam em total concordância (v.49).

12.47 eu não o julgo. O propósito de Jesus em vir ao mundo não era o julgamento propriamente dito, mas a salvação daqueles que de outra forma estariam perdidos sem ele. O juízo e condenação não era o propósito da vinda de Cristo, mas uma mera consequencia do fato de alguns decidirem rejeitá-lo por sua própria vontade (v.48). Se você precisa ver um jogo de futebol mas não tem ingresso, e eu passar e lhe oferecer de graça um ingresso, e você não aceitar este ingresso e ficar de fora do jogo, não sou eu quem fiz com que você ficasse fora do jogo, mas você mesmo. Da mesma forma, Jesus apenas oferece salvação, e quem cai em condenação é o próprio homem ao escolher rejeitá-lo.

12.49 não tenho falado de mim mesmo. V. nota em Jo.16:13.

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