21 de junho de 2015

Comentários de João 10

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.
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1 Em verdade, em verdade vos digo, que aquele que no curral das ovelhas não entra pela porta, mas sobe por outra parte, é ladrão, e assaltante. 
2 Mas aquele que entra pela porta é o pastor de ovelhas. 
3 A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem sua voz, e a suas ovelhas chama nome por nome, e as leva fora. 
4 E quando tira fora suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem sua voz. 
5 Mas ao estranho em maneira nenhuma seguirão, ao invés disso dele fugirão; porque não conhecem a voz dos estranhos. 
6 Esta parábola Jesus lhes disse; porém eles não entenderam que era o que lhes falava. 
7 Voltou pois Jesus a lhes dizer: Em verdade, em verdade vos digo, que sou a porta das ovelhas. 
8 Todos quantos vieram antes de mim, são ladrões e assaltantes; mas as ovelhas não os ouviram. 
9 Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, será salvo; e entrará, e sairá, e achará pasto. 
10 O ladrão não vem para [outra coisa] , a não ser roubar, e matar, e destruir; eu vim para que tenham vida, e [a] tenham em abundância. 
11 Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá sua vida pelas ovelhas. 
12 Mas o empregado, e que não é o pastor, as cujas ovelhas não são próprias, vê o lobo vir, e deixa as ovelhas, e foge; o lobo as arranca, e dispersa as ovelhas. 
13 E o empregado foge, porque é empregado, e não tem cuidado das ovelhas. 
14 Eu sou o bom Pastor, e as minhas conheço, e das minhas sou conhecido. 
15 Como o Pai me conhece, [assim] também eu conheço ao Pai; e ponho minha vida pelas ovelhas. 
16 Ainda tenho outras ovelhas que não são deste curral; a estas também me convém trazer, e ouvirão minha voz, e haverá um rebanho, [e] um pastor. 
17 Por isso me ama o Pai, porque ponho minha vida para tomá-la de volta. 
18 Ninguém a tira de mim, mas eu de mim mesmo a ponho; poder tenho para a pôr, e poder tenho para tomá-la de volta. Este mandamento recebi de meu Pai. 
19 Voltou pois a haver divisão entre os Judeus, por causa destas palavras. 
20 E muitos deles diziam: Ele tem demônio, e está fora de si; para que o ouvis? 
21 Diziam outros: Estas palavras não são de endemoninhado; por acaso pode um demônio abrir os olhos dos cegos? 
22 E era a festa da renovação [do Templo] em Jerusalém, e era inverno. 
23 E andava Jesus passeando no Templo, na entrada de Salomão. 
24 Rodearam-no, então, os Judeus, e lhe disseram: Até quando farás nossa alma em dúvida? Se tu és o Cristo, dize-nos abertamente. 
25 Respondeu-lhes Jesus: Já vos tenho dito, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai, essas testemunham de mim. 
26 Mas vós não credes, porque não sois de minhas ovelhas, como já vos tenho dito. 
27 Minhas ovelhas ouvem minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem. 
28 E eu lhes dou a vida eterna, e para sempre não perecerão, e ninguém as arrancará de minha mão. 
29 Meu Pai, que [as] deu para mim, é maior que todos; e ninguém pode arrancá-las da mão de meu Pai. 
30 Eu e o Pai somos um. 
31 Voltaram pois os Judeus a tomar pedras para o apedrejarem. 
32 Respondeu-lhes Jesus: Muitas boas obras de meu Pai vos tenho mostrado; por qual obra destas me apedrejais? 
33 Responderam-lhe os judeus dizendo: Por boa obra não te apedrejamos, mas pela blasfêmia; e porque sendo tu homem, a ti mesmo te fazes Deus. 
34 Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito em vossa Lei: Eu disse: Sois deuses? 
35 Pois se [a Lei] chamou deuses a aqueles, para quem a palavra de Deus foi feita, (e a Escritura não pode ser quebrada);  36 [A mim], a quem o Pai santificou, e ao mundo enviou, dizeis vós: Blasfemas; porque disse: Sou Filho de Deus? 
37 Se não faço as obras de meu Pai, não creiais em mim. 
38 Porém se eu as faço, e não credes em mim, crede nas obras; para que conheçais e creiais que o Pai está em mim, e eu nele. 
39 Então procuravam outra vez prendê-lo; e ele saiu de suas mãos. 
40 E voltou a ir para o outro lado do Jordão, ao lugar onde João primeiro batizava; e ficou ali. 
41 E muitos vinham a ele, e diziam: Em verdade que nenhum sinal fez João; mas tudo quanto João disse deste era verdade. 
42 E muitos ali creram nele.



10:8 todos os que vieram antes de mim. I.e, todos os pretensos e falsos “Messias” que apareceram – e ainda apareceriam (Mt.24:5). as ovelhas não os ouviram. Deve ser entendido como o povo de Deus, i.e, a Igreja. Quem é de Deus não segue os falsos mestres.

10.9 eu sou a porta. Em sentido figurado, assim como quando ele disse “eu sou o pão da vida” (v. nota em Jo.6:35).

10.10 vida em abundância. Obviamente, Jesus não estava falando sobre prosperidade aqui, uma vez que ele mesmo viveu de forma humilde, sofreu e morreu enquanto esteve entre nós, e seus discípulos (a maioria simples pescadores, sem bens materiais) foram duramente perseguidos pelos judeus e pelo Império Romano e martirizados ao final da vida. Se alguém sofreu privações nesta vida, estes foram os primeiros cristãos. Enquanto os ímpios (imperadores romanos, por exemplo) viviam em palácios, os cristãos viviam escondidos e sob forte repressão. A “vida em abundância” que Jesus se refere, portanto, é abundante em sentido espiritual – libertação da cadeia do pecado e das correntes do maligno (Lc.4:18-19), de quem Deus nos livrou para nos trazer ao “Reino do seu Filho amado, em quem temos a redenção, a saber, o perdão dos pecados” (Cl.1:13-14).

10.12 deixa as ovelhas e foge. O falso mestre finge estar preocupado com as ovelhas somente para conseguir lucrar em cima delas. Quando alguém precisa de ajuda espiritual ele não tem tempo; quando alguém precisa de ajuda financeira ele não quer saber; quando alguém precisa de oração ou amparo ele dá as costas. Ele usa as pessoas, ao invés de viver por elas.

10.13 porque é empregado. Ou seja: ele recebe salário para isso, não o faz voluntariamente ou por amor.

10.16 que não são deste curral. I.e, que iam além dos doze discípulos iniciais (e também além da multidão que o seguia). O propósito era de levar o Reino adiante até os gentios, e então para toda a criatura (Mc.16:15).

10.18 de mim mesmo a ponho. A NVI traduz por: “eu a dou por minha espontânea vontade”. Em outras palavras, Jesus não foi compelido pelo Pai a dar a vida pelo mundo como uma forma de coação; ao contrário, ele mesmo quis se sacrificar pelo bem da humanidade, por livre e espontânea vontade.

10.25 já vos tenho dito. Tudo o que Jesus tinha dito (ex: “Eu Sou” – v. nota em Jo.8:58) era uma clara indicação de que ele era o Cristo, de modo que quem ainda hesitava em crer ou colocava isso em dúvida era incrédulo ou estava mal intencionado.

10.28 lhes dou a vida eterna. A salvação é um presente dado por Deus, e o papel do homem é apenas de aceitar este presente. O homem não é de modo algum o causador da sua salvação, como afirmavam os pelagianos. para sempre não perecerão. Provável alusão à vida eterna que se desfruta de fato após a ressurreição. Cristo não estava falando sobre perda de salvação ou perseverança dos santos aqui. O sentido do texto é que aqueles que obterem a vida eterna não perecerão jamais, pois estarão para sempre com Deus na eternidade. ninguém arrancará da minha mão. Até mesmo os que se desviam não se desviam porque alguém os arrancou da mão de Cristo, mas sim porque de si mesmos escolheram se apartar dele (sobre a perda da salvação, v. nota em Hb.6:4-6). O sentido geral do texto é que existe um grupo geral de salvos (chamado Igreja) que Cristo predestinou irreversivelmente à vida eterna, o que significa que todos os que fizerem parte do Corpo de Cristo durante a vida herdarão a vida eterna no último dia. Não é uma alusão a uma eleição individual à salvação, mas uma eleição corporativa.

10:30 somos um. V. nota em Jo.17:21-23.

10.34 sois deuses. Não literalmente um falso “deus”, como Baal, mas “deuses” no sentido de ser “filho de Deus”, por ter sido feito à imagem e semelhança do Criador. a Escritura não pode ser quebrada. I.e, nenhum argumento ou arrazoado humano pode se sobrepor à Escritura Sagrada, cuja autoridade é suprema e final.

10.38 o Pai está em mim. Não significa que o Pai e Cristo fossem a mesma pessoa, como erroneamente creem os unicistas, mas sim que o Pai atuava através de Jesus, pois Jesus fazia as obras de seu Pai (v. 37). Os milagres que Jesus fazia era Deus que fazia por meio dele (At.2:22), ou seja, o Pai capacitava o Filho para que este realizasse os milagres. A Bíblia também diz que “Deus fazia milagres extraordinários através de Paulo” (At.19:11), e nem por isso Deus e Paulo eram uma só pessoa. Semelhantemente, o Espírito Santo está em nós (2Tm.1:14), mas nós não somos o próprio Espírito Santo.

10:39 ele saiu de suas mãos. Não está claro se Jesus fez isso naturalmente ou sobrenaturalmente, mas o que importa é que Jesus não continuou em meio a eles aceitando ser preso ou morto, pois a sua hora ainda não havia chegado. 

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