20 de julho de 2014

Comentários de Marcos 4

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.
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1. E começou outra vez a ensinar junto ao mar, e uma grande multidão se juntou a ele, de tal maneira que, entrando em um barco, se sentou no mar; e toda a multidão estava em terra junto ao mar.
2. E ensinava-lhes muitas coisas por parábolas; e dizia-lhes em sua doutrina:
3. Ouvi: eis que o semeador saiu para semear;
4. E aconteceu que, semeando ele, caiu uma [parte das sementes] junto ao caminho, e vieram os pássaros do céu, e a comeram.
5. E outra caiu em pedregais, onde não tinha muita terra; e logo nasceu, porque não tinha terra profunda.
6. Mas saindo o sol, queimou-se; e porque não tinha raiz, secou-se.
7. E outra caiu entre espinhos, e cresceram os espinhos, e sufocaram-na, e não deu fruto.
8. E outra caiu em boa terra, e deu fruto, que subiu, e cresceu; e deu um trinta, e outro sessenta, e outro cem.
9. E disse-lhes: 
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
10. E quando esteve só, perguntaram-lhe os que [estavam] junto a ele, com os doze, sobre a parábola.
11. E disse-lhes: 
A vós é dado saber os mistérios do Reino de Deus; mas aos que [são] de fora, todas estas coisas se fazem por parábolas.
12. Para que vendo, vejam, e não percebam; e ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não venham a se converter, e lhes sejam perdoados os pecados.
13. E disse-lhes: 
Não sabeis esta parábola? Como pois entendereis todas as parábolas?
14. O semeador [é o que] semeia a palavra.
15. E estes são os de junto ao caminho: nos que a palavra se semeia; mas havendo a ouvido, vem logo Satanás, e tira a palavra que foi semeada em seus corações.
16. E semelhantemente estes são os que se semeiam em pedregais: os que havendo ouvido a palavra, logo a recebem com alegria.
17. Mas não têm raiz em si mesmos; antes são temporários. Depois, levantando-se a tribulação, ou perseguição por causa da palavra, logo se ofendem.
18. E estes são os que se semeiam entre espinhos: os que ouvem a palavra.
19. E as preocupações deste mundo, e o engano das riquezas, e as cobiças pelas outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica sem fruto.
20. E estes são os que foram semeados em boa terra: os que ouvem a palavra, e a recebem, e dão fruto, um trinta, e outro sessenta, e outro cem.
21. E ele lhes disse: 
Por acaso a lâmpada vem para ser posta debaixo da caixa de grãos ou debaixo da cama? Ora, não [é ela] para se pôr na luminária?
22. Porque não há nada encoberto que não venha a ser manifesto; nem nada se faz [para ficar] encoberto, mas para ser descoberto.
23. Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.
24. E disse-lhes: 
Prestai atenção ao que ouvis: com a medida que medirdes vos medirão; e será acrescentado a vós o que ouvis.
25. Porque ao que tem, lhe será dado; e ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.
26. E dizia: 
Assim é o Reino de Deus, como se o homem lançasse semente na terra.
27. E dormisse, e se levantasse de noite e de dia, e a semente brotasse, e crescesse, não sabendo ele como.
28. Porque de si mesma frutifica a terra, primeiro erva, depois espiga, depois grão cheio na espiga.
29. E quando já o fruto se mostra, logo lhe envia a foice, porquanto chegada é a ceifa.
30. E dizia: 
A que faremos o Reino de Deus semelhante? Ou com que parábola o compararemos?
31. Com o grão da mostarda, que quando se semeia na terra, é o menor de todas as sementes que [há] na terra.
32. E sendo já semeado, cresce, e se faz a maior de todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que os pássaros do céu possam fazer ninhos debaixo de sua sombra.
33. E com muitas tais parábolas lhes falava a palavra, segundo o que podiam ouvir.
34. E não lhes falava sem parábola; mas a seus discípulos declarava tudo em particular.
35. E disse-lhes aquele dia, vinda já a tarde: 
Passemos para o outro lado.
36. E deixando a multidão, o tomaram consigo assim como estava no barco, e havia também com ele outros barquinhos.
37. E levantou-se uma grande tempestade de vento, e davam as ondas por cima do barco, de tal maneira que já se enchia.
38. E ele estava na popa dormindo sobre uma almofada, e despertaram-no, e disseram-lhe: 
Mestre, não te preocupas de que nos perecemos?
39. E tendo ele despertado, repreendeu ao vento, e disse ao mar: 
Cala-te, aquieta-te! 
E o vento se aquietou, e fez-se grande bonança.
40. E disse a eles: 
Por que sois tão covardes? Como não tendes fé?
41. E temeram com grande temor, e diziam uns aos outros: 
 Mas quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?




4.11 aos que são de fora, todas estas coisas se fazem por parábolas. V. nota em Mt.13:11 e Mt.13:13.

4.19 engano das riquezas. V. nota em 1Tm.6:5-10.

4.21 para se pôr na luminária. V. nota em Mt.5:14-16.

4.25 ao que tem, lhe será dado; e ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. V. nota em Mt.25:29.

4.26-29 A parábola mostra o poder da própria semente (palavra de Deus). Por mais que os homens tentem evitar ou fracassem em suas tentativas de frutificar, o Reino de Deus irá progredir assim mesmo, até alcançar seu alvo final, o propósito de Deus. Nós não estamos numa posição em que podemos impedir a consecução da vontade de Deus para o mundo todo, embora possamos rejeitá-la totalmente para nós mesmos (Lc.7:30).

4.31 menor de todas as sementes que há na terra. V. nota em Mt.13:32.

4.40 por que sois tão covardes? A resposta deixa implícito que os próprios discípulos poderiam ter feito isso, repreendendo o vento e acabando com a tempestade – se tivessem coragem para isso. Foi assim que Pedro conseguiu temporariamente andar sobre as águas, antes de ser tomado pelo medo e começado a afundar (v. nota em Mt.14:31).

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