20 de julho de 2014

Comentários de Marcos 3

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.
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1. E entrou outra vez na sinagoga; e estava ali um homem, que tinha uma mão ressequida.
2. E prestavam atenção nele, se no sábado o curaria, para o acusarem.
3. E disse ao homem que tinha a mão ressequida: 
Levanta-te, [e fica] no meio [da sinagoga].
4. E disse-lhes: 
[O que] é lícito no sábado? Fazer o bem, ou fazer mal? Salvar uma pessoa, ou matá-la? 
E eles calavam.
5. E olhando para eles ao redor com irritação, sentindo incômodo pela dureza do coração deles, disse ao homem: 
Estende tua mão; 
e ele estendeu; e foi sua mão restaurada sã como a outra.
6. E saindo os fariseus, tiveram logo conselho juntamente com os herodianos contra ele, [sobre] como o matariam.
7. E retirou-se Jesus com seus discípulos para o mar; e seguiu-o uma grande multidão da Galileia, e da Judeia.
8. E de Jerusalém, e da Idumeia, e de além do Jordão; e grande multidão dos de perto de Tiro, e de Sídon, ouvindo quão grandes coisas fazia, vieram a ele.
9. E disse a seus discípulos que o barquinho ficasse constantemente perto dele, por causa das multidões; para que não lhe tumultuassem.
10. Porque tinha curado a muitos, de tal maneira que todos quantos tinham [algum] mal, caíam sobre ele, para tocá-lo.
11. E os espíritos imundos, vendo-o, se prostravam diante dele, e clamavam, dizendo: 
Tu és o Filho de Deus.
12. E ele os ameaçava muito, que não manifestassem [quem] ele [era].
13. E subiu ao monte, e chamou a si aos que quis, e vieram a ele.
14. E ordenou aos doze para que estivessem com ele, e para mandá-los para pregar.
15. E para que tivessem poder para curarem as enfermidades, e lançarem fora aos demônios.
16. [Ele chamou a] Simão, [a quem] pôs por nome, Pedro;
17. E a Tiago [filho] de Zebedeu, e a João, irmão de Tiago; e pôs-lhes por nome, Boanerges, que é: filhos do trovão.
18. E a André, e a Filipe, e a Bartolomeu, e a Mateus, e a Tomé, e a Tiago [filho] de Alfeu, e a Tadeu, e a Simão o Cananeu.
19. E a Judas Iscariotes, o que também o traiu.
20. E indo para casa, outra vez se juntou a multidão, de tal maneira, que nem sequer podiam comer pão.
21. E quando os seus [conhecidos] ouviram isto, saíram para prendê-lo; porque diziam: 
Está fora de si.
22. E os escribas, que desceram de Jerusalém, diziam: 
[Ele] tem a Belzebu, e pelo chefe dos demônios lança fora aos demônios.
23. E chamando-os a si, disse-lhes por parábolas: 
Como pode Satanás lançar fora a Satanás?
24. E se algum reino contra si mesmo estiver dividido, tal reino não pode permanecer.
25. E se alguma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não pode permanecer.
26. E se Satanás se levantar contra si mesmo, e for dividido, não pode permanecer, mas tem fim.
27. Ninguém pode roubar os bens do valente, entrando em sua casa, se antes não amarrar ao valente; e então roubará sua casa.
28. Em verdade vos digo, que todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, e todas as blasfêmias com que blasfemarem;
29. Porém qualquer que blasfemar contra o Espírito Santo, para sempre não tem perdão; mas é culpado do eterno juízo.
30. Porque diziam: 
[Ele] tem espírito imundo.
31. Vieram pois seus irmãos e a sua mãe; e estando de fora, mandaram [avisar] a ele, chamando-o.
32. E a multidão estava sentada ao redor dele; e disseram-lhe: 
Eis que tua mãe e teus irmãos te buscam lá fora.
33. E ele lhes respondeu, dizendo: 
Quem é minha mãe, e meus irmãos?
34. E olhando ao redor para os que estavam sentados perto dele estavam assentados, disse: 
Eis aqui minha mãe, e meus irmãos.
35. Porque qualquer que fizer a vontade de Deus, este é meu irmão, e minha irmã, e [minha] mãe.




3.2 para o acusarem. A tradição judaica havia acrescentado uma série de regras extra-bíblicas em torno da guarda do sábado, incluindo a proibição de curar neste dia, que não se encontra em lugar nenhum do AT. Jesus, ao curar aquele homem no sábado, não estava se opondo às Escrituras, mas às tradições posteriores perpetuadas pelos fariseus.

3.6 sobre como o matariam. V. nota em Mt.12:14.

3.12 para que não manifestassem quem ele era. V. nota em Mc.1:44.

3.16 a quem pôs por nome Pedro. Não houve uma substituição do nome “Simão” pelo nome “Pedro” (como ocorreu com Abraão e outros personagens bíblicos do AT), pois Pedro continuou sendo chamado de “Simão” muitos anos depois da ascensão de Jesus (At.10:18; 11:13), mas sim um acréscimo de um sobrenome (“Simão, que tinha por sobrenome Pedro” – At.10:18). O mesmo ocorreu com outros discípulos de Jesus, como “Tiago, filho de Zebedeu, e a João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges” (v.17). Em seus momentos de fraqueza, Pedro era chamado de “Simão” (Lc.22:31; Mc.14:37; Jo.21:15-17). Era o velho Simão que entrava em ação, com todas as suas fraquezas e debilidades naturais. Quando, porém, Pedro reconhece Jesus como sendo o Cristo, o Filho do Deus vivo, ele é chamado de Pedro (pedra), para ressaltar a sua fé firme e inabalável de sua confissão (Mt.16:16-18).

Logicamente, o fato de Pedro significar “pedra” não significa necessariamente que Pedro fosse a pedra de Mt.16:18 (v. nota), da mesma forma que pelo fato de Jeremias significar “Iahweh exalta” não significa que Jeremias era Iahweh, que pelo fato de Isaías significar “O Senhor é salvação” não significa que o próprio Isaías era o Senhor, ou que pelo fato de Oseias significar “Salvador é Deus” não implica em que Oseias seja Deus ou Salvador. O nome bíblico Obede significa “servo”, mas isso não significa que toda vez que a Bíblia fale de servo ela está se referindo a Obede; Neftali significa “guerreiro”, mas isso não significa que toda vez que a Bíblia use esse nome se refira a Neftali; Matias significa “homem de Deus”, mas isso não significa que toda vez que ela fale sobre um homem de Deus esteja falando de Matias. Se Pedro tivesse que ser a pedra pelo significado de seu nome, então em todo o NT onde lemos “pedra” deveríamos entender “Pedro”, inclusive nas passagens que deixam claro que a pedra é Jesus (1Co.3:11; 10:4; Rm.9:32; 9:33; Mc.12:10; Mt.21:42; At.4:11; 1Pe.2:4-7).

3.21 os seus. O contexto deixa claro que Marcos estava se referindo aos seus familiares – seus irmãos e sua mãe – que estavam do lado de fora o chamando (v.31). Eles ainda não criam em Jesus (Jo.7:5) e achavam que ele estava “fora de si” (v.21), querendo inclusive prendê-lo (v.21). Isso mostra que seus irmãos e sua mãe eram pecadores, desde que se considere pecado o fato de considerar Jesus um “louco”.

3.27 se antes não amarrar o valente. V. nota em Mt.12:29.

3.29 blasfemar contra o Espírito Santo. V. nota em Lc.12:10.

3.31 e sua mãe. Até Maria estava incluída entre aqueles familiares de Jesus que achavam que ele estava fora de si e que queriam prendê-lo (v. nota em Mc.3:21).

3.34 eis aqui minha mãe e meus irmãos. V. nota em Mt.12:48-49.

3.35 qualquer que fizer a vontade de Deus, este é meu irmão, e minha irmã, e [minha] mãe. A família natural de Jesus não estava em um grau de superioridade destacado sobre os demais, que formavam a família espiritual de Cristo. A ligação de Jesus para com os da fé (“qualquer um que fizer a vontade de Deus”) prevalecia sobre a ligação de Jesus para com os da carne (v. nota em Lc.11:28).

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