15 de julho de 2014

Comentário de Mateus 4

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.

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1. Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo.
2. E depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.
3. E o tentador se aproximou dele, e disse: 
Se tu és o Filho de Deus, dize que estas pedras se tornem pães.
4. Mas [Jesus] respondeu: 
Está escrito: 
Não só de pão viverá o ser humano, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.
5. Então o diabo o levou consigo à santa cidade, e o pôs sobre o ponto mais alto do Templo,
6. E disse-lhe: 
Se tu és o Filho de Deus, lança-te abaixo, porque está escrito que: 
Mandará a seus anjos acerca de ti, e te tomarão pelas mãos, para que nunca com teu pé tropeces em pedra alguma.
7. Jesus lhe disse: 
Também está escrito: 
Não tentarás o Senhor teu Deus.
8. Outra vez o diabo o levou consigo a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo, e a glória deles,
9. E disse-lhe: 
Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.
10. Então Jesus disse: 
Vai embora Satanás! Porque está escrito:
Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele cultuarás.
11. Então o diabo o deixou; e eis que chegaram anjos, e o serviram.
12. Mas quando Jesus ouviu que João estava preso, voltou para a Galileia.
13. E deixando Nazaré, veio a morar em Cafarnaum, [cidade] marítima, nos limites de Zebulom e Naftali,
14. Para que se cumprisse o que foi anunciado pelo profeta Isaías, que disse:
15. A terra de Zebulom e a terra de Naftali, caminho do mar, além do Jordão, a Galileia dos gentios;
16. O povo sentado em trevas viu uma grande luz; aos sentados em região e sombra da morte, a luz lhes apareceu.
17. Desde então Jesus começou a pregar e a dizer: 
Arrependei-vos, porque perto está o Reino dos céus.
18. Enquanto Jesus andava junto ao mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, lançarem a rede ao mar, porque eram pescadores.
19. E disse-lhes: 
Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de gente.
20. Então eles logo deixaram as redes e o seguiram.
21. E passando dali, viu outros dois irmãos: Tiago, [filho] de Zebedeu, e seu irmão João, em um barco, com seu pai Zebedeu, que estavam consertando suas redes; e ele os chamou.
22. E eles logo deixaram o barco e seu pai, e o seguiram.
23. E Jesus rodeava toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando toda enfermidade e toda doença no povo.
24. Sua fama corria por toda a Síria, e traziam-lhe todos que sofriam de algum mal, tendo diversas enfermidades e tormentos, e os endemoninhados, epiléticos, e paralíticos; e ele os curava.
25. E muitas multidões da Galileia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judeia, e dalém do Jordão o seguiam.



4.1 para ser tentado. Jesus não foi levado ao deserto para jejuar, mas para ser tentado. O jejum foi uma ferramenta usada por Cristo para matar a carne e vencer a tentação. Embora alguns comentaristas afirmem que ele só venceu a tentação e jejuou por quarenta dias por ser Deus, o fato é que Jesus venceu a tentação como homem, para servir de exemplo para nós, em nossas próprias tentações. É por isso que nós “não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado” (Hb.4:15). Moisés também jejuou por quarenta dias (Dt.9:9), assim como Elias (1Rs.19:8).

4.3 Comer pão ou fazer um milagre não é pecado, mas Cristo se recusou a fazer isso por duas razões. A primeira é porque ele não quebraria seu propósito de jejum, que ele levava a sério. Se ele se comprometeu a algo, ele cumpriria. A segunda é porque ele não iria se submeter nem por um segundo às ofertas de Satanás, que queria o contrário. O episódio nos revela um forte vínculo da obediência a Deus, que era a questão central de todas as tentações.

4.4 nem só de pão. Jesus coloca o alimento espiritual (Palavra de Deus) acima do alimento físico. Ele podia ficar quarenta dias sem comer, mas não podia ficar um dia sem a presença de Deus.

4.6 pois está escrito. O diabo tentou citar a única regra de fé de Cristo (Escritura) contra ele mesmo, mas de forma isolada e superficial. Jesus o refutou usando a mesma Escritura (v.7).

4.7 se tu és o Filho de Deus. Ele não precisava mostrar para ninguém – muito menos para o diabo – que ele era o Filho de Deus, através de milagres extraordinários. Ele já tinha plena segurança de quem ele era. Sempre quando alguém pedia uma prova milagrosa de que Jesus era o Filho de Deus, ele se recusava a fazer (Mt.12:39; 16:4; Lc.11:29). Os milagres operados por Cristo eram sempre uma generosidade dele em favor de uma pessoa necessitada, e não para mostrar algo a alguém, para único favorecimento pessoal.

4.7 não tentarás o Senhor teu Deus. Esta é a segunda prova implícita da divindade de Cristo. Satanás estava tentando Jesus, e Jesus diz que não se pode tentar Deus. Se Jesus não fosse Deus, este texto não faria o menor sentido. Ele deixa implícito que Jesus é aquele que não se pode tentar – o próprio Deus.

4.9 prostrado. O ato de se prostrar é colocado como sendo um precedente necessário para a adoração. É assim que, historicamente, os pagãos sempre adoraram as imagens. A finalidade da idolatria é sempre a glória de Satanás.

4.10 só a ele cultuarás. Para Jesus, o culto deve ser unicamente a Deus. Não existia ainda a ideia de um cultode latria a Deus e outro culto de dulia aos santos. A própria diferença entre latria e dulia já é em si mesma superficial, pois latria (do latim latreuo) significa servir, e dulia (do latim doulos) significa escravo. Assim, latria consiste em servir e dulia em escravizar-se a alguém (sinônimos). Na Igreja Romana, os fieis são incentivados a “servirem” (latria) a Deus e a serem “escravos” (dulia) dos santos e “super-escravos” (hiperdulia) de Maria. Se existe mesmo uma diferença, é em favor de Maria e dos santos (dulia).

4.17 arrependei-vos. O principal tema da pregação de Jesus era o mesmo de João Batista: o arrependimento. De nada adiantava pregar outras coisas enquanto as pessoas não fossem regeneradas e não decidissem mudar de vida. Era necessário que as pessoas saíssem da morte para a vida para que pudessem entender os demais pontos da fé. Depois do arrependimento, Jesus pregava as demais coisas. V. nota em Mt.3:2.

4.19 pecadores de homens. Assim como nenhum pescador tinha que esperar o peixe vir até eles, mas eram eles que lançavam as redes atrás dos peixes (v.18), nós (cristãos) que temos a incumbência de ir atrás dos perdidos (Mc.16:15), ao invés de esperarmos passivamente que eles venham às nossas igrejas. 

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