30 de julho de 2014

Comentários de Lucas 19

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.
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1. E [Jesus] entrou e foi passando por Jericó.
2. E eis que havia ali um homem, chamado pelo nome de Zaqueu, e este era chefe dos cobradores de impostos, e era rico.
3. E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era pequeno de altura.
4. E correndo com antecedência, subiu em uma árvore de frutos que parecem figos, para o ver; porque ele passaria por ali.
5. E quando Jesus chegou a aquele lugar, olhando para cima, o viu, e disse-lhe:
Zaqueu, apressa-te, e desce; porque hoje é necessário que eu fique em tua casa.
6. E apressando-se, desceu, e o recebeu com alegria.
7. E todos, vendo [isto], murmuravam, dizendo:
Ele entrou para se hospedar com um homem pecador.
8. E Zaqueu, levantando-se, disse ao Senhor:
Senhor, eis que dou a metade de meus bens aos pobres; e se eu consegui algo enganando a alguém, eu [o] devolvo quatro vezes mais.
9. E Jesus lhe disse:
Hoje houve salvação nesta casa, porque ele também é filho de Abraão.
10. Porque o Filho do homem veio para buscar, e para salvar o que tinha se perdido.
11. E ouvindo eles estas coisas, [Jesus] prosseguiu, e disse uma parábola, porque estava perto de Jerusalém, e pensavam que logo o Reino seria manifesto.
12. Disse, pois:
Um certo homem nobre partiu para uma terra distante.
13. E chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas, e disse-lhes:
Investi até que eu venha;
14. E seus cidadãos o odiavam; e mandaram representantes depois dele, dizendo:
Não queremos que este reine sobre nós.
15. E aconteceu que, quando ele voltou, tendo tomado o reino, disse que lhe chamassem a aqueles servos, a quem tinha dado o dinheiro, para saber o que cada um tinha ganho fazendo investimentos.
16. E veio o primeiro, dizendo:
Senhor, tua mina rendeu outras dez minas.
17. E ele lhe disse:
Ótimo, bom servo! Por teres sido fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades.
18. E veio o segundo, dizendo:
Senhor, tua mina rendeu cinco minas.
19. E disse também a este:
E tu [governarás] cinco cidades.
20. E veio outro, dizendo:
Eis aqui tua mina, que guardei em um lenço.
21. Porque tive medo de ti, que és um homem rigoroso, que tomas o que não puseste, e colhes o que não semeaste.
22. Porém ele lhe disse:
Servo mau, por tua boca eu te julgarei; tu sabias que eu era um homem rigoroso, que tomo o que não pus, e que colho o que não semeei;
23. Por que, então, não puseste meu dinheiro no banco; e quando eu viesse, o receberia de volta com juros?
24. E disse aos que estavam com ele:
Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem as dez minas.
25. E eles lhe disseram:
Senhor, ele [já] tem dez minas.
26. [O senhor respondeu:]
Porque eu vos digo, que todo aquele que tiver, lhe será dado; mas ao que não tiver, até o que tem, lhe será tirado.
27. Porém a aqueles meus inimigos, que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei[- os] aqui, e matai[-os] diante de mim.
28. E dito isto, ele foi caminhando adiante, subindo para Jerusalém.
29. E aconteceu que, chegando perto de Betfagé, e de Betânia, ao monte chamado das Oliveiras, mandou a dois de seus discípulos,
30. Dizendo:
Ide à aldeia que está em frente; onde, ao entrardes, achareis um potro atado, em que ninguém jamais se sentou; soltai-o, e trazei[-o].
31. E se alguém vos perguntar:
Por que [o] soltais?
Direis assim a ele:
Porque o Senhor precisa dele.
32. E indo os que tinham sido mandados, acharam como lhes disse:
33. E soltando o potro, seus donos lhe disseram:
Por que soltais o potro?
34. E eles disseram:
O Senhor precisa dele.
35. E o trouxeram a Jesus; e lançando suas roupas sobre o potro, puseram Jesus montado nele.
36. E indo ele andando, estendiam suas roupas pelo caminho.
37. E quando já chegava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão de discípulos, com alegria começou a louvar a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto,
38. Dizendo:
Bendito o Rei que vem em nome do Senhor; paz no céu, e glória nas alturas.
39. E alguns dos fariseus da multidão lhe disseram:
Mestre, repreende a teus discípulos.
40. E respondendo ele, disse-lhes:
Digo-vos, que se estes se calarem, as pedras clamariam.
41. E quando já estava chegando, viu a cidade, e chorou por causa dela,
42. Dizendo:
Ah, se tu também conhecesses, pelo menos neste teu dia, aquilo que lhe traria paz! Mas agora [isto] está escondido de teus olhos.
43. Porque dias virão sobre ti, em que teus inimigos lhe cercarão com barricadas, e ao redor te sitiarão, e lhe pressionarão por todos os lados.
44. E derrubarão a ti, e a teus filhos; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada.
45. E entrando no Templo, começou a expulsar a todos os que vendiam e compravam ali,
46. Dizendo-lhes:
Está escrito:
Minha casa é casa de oração;
Mas vós a tendes feito um esconderijo de ladrões.
47. E ensinava diariamente no Templo; e os chefes dos sacerdotes, e os escribas, e os chefes do povo, procuravam matá-lo.
48. E não achavam como fazer, porque todo o povo o ouvia com muita atenção.




19.7 ele entrou para se hospedar com um homem pecador. A mesma acusação que os fariseus fizeram contra Cristo quando o viram comendo com publicanos (v. nota em Mc.2:16). Mais uma vez, o relato mostra que a intenção de Jesus em comer com os pecadores não era se associar com o pecado deles ou aprovar o modo de conduta deles, mas era levá-los ao arrependimento e mudança de vida através da oportunidade dada. Aqui Zaqueu ganhou a salvação (v.9) com este ato de Jesus, mostrando estar verdadeiramente arrependido, pois de fato se prontificou a dar metade dos seus bens aos pobres (v.8). 

19.11-27
 
Esta parábola possui fortes semelhanças com a parábola dos talentos registrada em Mt.25:14-30 (v. nota).

19.26 V. nota em Mt.25:29.

19.27 matai-os diante de mim. Referência ao destino final dos não-salvos.

19.30 potro. Ou “jumentinho”. Sobre o relato em si, v. nota em Mc.11:2-8.

19.39 mestre, repreende a teus discípulos. Porque Jesus estava sendo por eles reconhecido como o Messias, aquele que “vem em nome do Senhor” (o filho de Davi, conforme descrito no relato paralelo de Mt.21:9), algo que era considerado “blasfêmia” pelos fariseus. Ao rejeitar repreender seus discípulos, Jesus assumia pela primeira vez publicamente que era de fato o Cristo.

19.40 as pedras clamariam. Alegoria que deve ser entendida no sentido de que Deus poderia levantar qualquer pessoa sob qualquer circunstância para louvá-lo naquele momento, e que não seriam os fariseus que iriam impedir isso.

19.44 não conheceste o tempo em que foste visitada. I.e, eles não aproveitaram as chances de se reencontrar com Deus, enquanto tinham a oportunidade.

19.45 expulsar a todos os que vendiam. V. nota em Mt.21:12.

19.47 procuravam matá-lo. V. nota em Mc.11:18.

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