30 de julho de 2014

Comentários de Lucas 14

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.
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1. E aconteceu que, entrando ele num sábado para comer pão na casa de um dos chefes dos fariseus, eles estavam o observando.
2. E eis que um certo homem com o corpo inchado estava ali diante dele.
3. E respondendo Jesus, falou aos estudiosos da Lei, e aos fariseus, dizendo:
É lícito curar no sábado?
4. Porém eles ficaram calados; e ele, tomando[-o], o curou, e [o] despediu.
5. E ele, respondendo-lhes, disse:
De qual que vós cairá o jumento, ou o boi em algum poço que, [mesmo] no sábado, não o tire logo?
6. E nada podiam lhe responder a estas coisas.
7. E vendo como os convidados escolhiam os primeiros assentos, disse-lhes uma parábola:
8. Quando fores convidados para o casamento de alguém, não te sentes no primeiro assento, para que não [aconteça de] se outro convidado mais digno que tu estiver, 
9. E venha o que convidou a ti e a ele, e te diga:
Dá lugar a este;
E então, com vergonha, tenhas que tomar o último lugar.
10. Mas quando fores convidado, vai, e senta-te no último lugar; para que quando vier o que te convidou, te diga:
Amigo, sobe para [este assento] melhor. 
Então terás honra diante dos que estiverem sentados contigo [à mesa].
11. Porque qualquer que exaltar a si mesmo, e aquele que humilhar a si mesmo, será exaltado.
12. E dizia também ao que tinha lhe convidado:
Quando fizeres um jantar, ou uma ceia, não chames a teus amigos, nem a teus irmãos, nem a teus parentes, nem a [teus] vizinhos ricos, para que eles também em algum tempo não te convidem de volta, e tu sejas recompensado.
13. Mas quando fizeres convite, chama aos pobres, aleijados, mancos [e] cegos.
14. E serás bem-aventurado, porque não eles não têm como te recompensar; pois tu serás recompensado na ressurreição dos justos.
15. E um dos que juntamente estavam sentados [à mesa], ouvindo isto, disse-lhe:
 Bem-aventurado aquele que comer pão no Reino de Deus.
16. Porém ele lhe disse:
Um certo homem fez um grande jantar, e convidou a muitos.
17. E na hora do jantar, mandou seu servo para dizer aos convidados:
Vinde, que tudo já está preparado.
18. E cada um deles todos começou a dar desculpas. O primeiro lhe disse: 
Comprei um campo, e tenho que ir vê-lo; peço-te desculpas.
19. E outro disse:
Comprei cinco pares de bois, e vou testá-los; peço-te desculpas.
20. E outro disse:
Casei-me [com] uma mulher, e portanto não posso vir.
21. E aquele servo, ao voltar, anunciou estas coisas a seu senhor. Então o chefe da casa, irritado, disse a seu servo:
Sai depressa pelas ruas e praças da cidade, e traze aqui aos pobres, e aleijados, e mancos e cegos.
22. E o servo disse:
Senhor, está feito como mandaste, e ainda há lugar.
23. E o senhor disse ao servo:
Sai pelos caminhos, e trilhas, e força-os a entrar, para que minha casa se encha.
24. Porque eu vos digo, que nenhum daqueles homens que foram convidados experimentará da minha ceia.
25. E muitas multidões iam com ele; e virando-se, disse-lhes:
26. Se alguém vier a mim, e não odiar a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também sua própria vida, não pode ser meu discípulo.
27. E qualquer que não levar sua cruz, e vier após mim, não pode ser meu discípulo.
28. Porque qual de vós, querendo edificar uma torre, não se senta primeiro para fazer as contas dos gastos, [para ver] se tem o [suficiente] para a completar?
29. Para que não aconteça que, depois de ter posto seu fundamento, e não podendo a completar, comecem a escarnecer dele todos os que [o] virem,
30. Dizendo:
Este homem começou a construir, e não pôde terminar.
31. Ou qual rei, indo a guerra para lutar contra outro rei, não se senta primeiro para consultar, se pode ir ao encontro com dez mil [soldados], vindo contra ele vinte mil?
32. Se não [puder], estando o outro ainda longe, manda[-lhe] representantes diplomáticos, e roga pela paz.
33. Assim, portanto, qualquer de vós que não renuncia a tudo, não pode ser meu discípulo.
34. Bom é o sal; porém se o sal perder o sabor, com o que ele será temperado?
35. Nem para a terra, nem para adubo serve; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.




14.3 é lícito curar no sábado? V. nota em Lc.13:14.

14.11
 
a si mesmo exaltar... a si mesmo humilhar. A mensagem aqui transmitida é basicamente a mesma de Lc.13:30 (v. nota), à exceção do fato de que Cristo coloca em foco a atitude da própria pessoa em relação a si mesma, em se exaltar ou se humilhar diante dos outros, mostrando que o que será retribuído por Deus não é aquilo que fizeram à pessoa, mas como a pessoa reagiu a isso e como ela considerava a si própria. Há pessoas que são humilhadas pelos outros mas que também humilham as demais pessoas, e há pessoas que são exaltadas pelos outros, mas agem com humildade e não se deixam levar pelo orgulho.

14.12-14 O princípio aqui ensinado por Cristo é o de que tudo o que fazemos na terra por alguém sem receber nenhuma recompensa terrena será recompensado por Deus no futuro, e que tudo o que fazemos por alguém na terra, esperando receber recompensa terrena, não será recompensado na eternidade.

14.14 tu serás recompensado na ressurreição dos justos. Não antes da ressurreição, como creem os imortalistas, mas depois da ressurreição é que receberemos a recompensa divina pelo modo em que vivemos na terra no tempo presente. Isso atesta contra a tese de que os mortos já estão atualmente no Céu em espírito. Se este fosse o caso, já estariam sendo recompensados por aquilo que fizeram e sofreram na terra, e a ressurreição seria meramente uma recompensa extra, sendo resumida apenas ao acréscimo de um corpo. No holismo bíblico este texto faz completo sentido, uma vez sendo que os mortos se encontram sem vida no presente momento e que é somente na ressurreição que eles voltam à existência e podem receber as recompensas de Deus.

14.16-24 Esta parábola tem certas semelhanças com a de Mt.22:2-13 (v. nota). Aqui, três desculpas são apresentadas para deixar o Reino de Deus em segundo plano: a compra de um campo (v.18), de cinco pares de bois (v.19) e o casamento (v.20). Não é pecado comprar algo ou se casar, mas é errado usar isso como pretexto para tirar a prioridade do Reino de Deus.

14.21 traze aqui aos pobres, e aleijados, e mancos e cegos. Os “últimos” (v. nota em Lc.13:30).

14.26 odiar. Obviamente Jesus não estava querendo que “odiássemos” nossos familiares e a nós mesmos, uma vez que foi ele mesmo que disse para amarmos o próximo e a nós mesmos (Mt.19:19). “Odiar” aqui é um hebraísmo conhecido que tem o mesmo sentido de “amar menos”, como traduz a NVI: “Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo”. Este verso também tem certa semelhança com o de Mt.10:34 (v. nota).

14.27 levar sua cruz. V. nota em Lc.9:23.

14.29 e não podendo completar. As duas parábolas que Jesus conta aqui tem o mesmo significado. Alguém que decide seguir Jesus deve estar plenamente convicto disso e absolutamente disposto a renunciar tudo, se for preciso. Se tiver essa mentalidade correta, ele estará preparado para enfrentar o que der e vier, e não dará um passo para trás. Ele não se deixará esmorecer pelos sofrimentos, aflições, tribulações, angústias, decepções e adversidades da vida. Ele estará focado naquilo que mais importa, que é a vida eterna. Em contrapartida, há também aqueles que decidem seguir Jesus, mas quando se deparam com o verdadeiro evangelho, que nada tem a ver com riquezas ou com uma vida terrena melhor, mas com negação de si mesmo, com levar sua cruz e com abnegação, decidem voltar atrás e abandonam Cristo. Estes são comparados a alguém que construiu uma torre e não foi capaz de terminá-la – o que torna a construção inicial da torre completamente inútil. A Bíblia diz que “teria sido melhor que não tivessem conhecido o caminho da justiça, do que, depois de o terem conhecido, voltarem as costas para o santo mandamento que lhes foi transmitido” (2Pe.2:21).

14.34 se o sal perder o seu sabor. V. nota em Mt.5:13.

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