30 de julho de 2014

Comentários de Lucas 24

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.
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1. E no primeiro [dia] da semana, de madrugada bem cedo, foram ao sepulcro, levando [consigo] os materiais aromáticos que tinham preparado; e algumas [outras] junto delas.
2. E acharam a pedra já revolvida do sepulcro.
3. E entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus.
4. E aconteceu, que estando elas perplexas, eis que dois homens apareceram junto a elas, com roupas luminosas.
5. E estando elas com muito medo, e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram:
Por que buscam entre os mortos aquele que vive?
6. Ele não está aqui, mas já ressuscitou. Lembrai-vos de como ele vos falou, quando ainda estava na Galileia,
7. Dizendo:
É necessário que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e [que] seja crucificado, e ressuscite ao terceiro dia.
8. E se lembraram das palavras dele.
9. E, voltando do sepulcro, anunciaram todas estas coisas aos onze, e a todos os outros.
10. E eram Maria Madalena, e Joana, e Maria [mãe] de Tiago, e as outras [que estavam] com elas, que diziam estas coisas aos apóstolos.
11. E para eles, as palavras delas pareciam não ter sentido; e não creram nelas.
12. Porém Pedro, levantando-se, correu ao sepulcro; e abaixando-se, viu os tecidos postos separadamente; e saiu maravilhado com o que tinha acontecido.
13. E eis que dois deles iam naquele mesmo dia a uma aldeia, cujo nome era Emaús, que estava a sessenta estádios [de distância] de Jerusalém.
14. E iam falando entre si de todas aquelas coisas que tinham acontecido.
15. E aconteceu que, enquanto eles estavam conversando entre si, e perguntando um ao outro, Jesus se aproximou, e foi junto deles.
16. Mas seus olhos foram retidos, para que não o reconhecessem.
17. E disse-lhes:
Que conversas são essas, que vós discutis enquanto andam, e ficais tristes?
18. E um [deles], cujo nome era Cleofas, respondendo-o, disse-lhe:
És tu o único viajante em Jerusalém que não sabe as coisas que nela tem acontecido nestes dias?
19. E ele lhes disse:
Quais?
E eles lhe disseram:
As sobre Jesus de Nazaré, a qual foi um homem profeta, poderoso em obras e em palavras, diante de Deus, e de todo o povo.
20. E como os chefes dos sacerdotes, e nossos líderes o entregaram à condenação de morte, e o crucificaram.
21. E nós esperávamos que ele fosse aquele que libertar a Israel; porém além de tudo isto, hoje é o terceiro dia desde que estas coisas aconteceram.
22. Ainda que também algumas mulheres dentre nós nos deixaram surpresos, as quais de madrugada foram ao sepulcro;
23. E não achando seu corpo, vieram, dizendo que também tinham visto uma aparição de anjos, que disseram que ele vive.
24. E alguns do que estão conosco foram ao sepulcro, e [o] acharam assim como as mulheres tinham dito; porém não o viram.
25. E ele lhes disse:
Ó tolos, e que demoram no coração para crerem em tudo o que os profetas falaram!
26. Por acaso não era necessário que o Cristo sofresse estas coisas, e [então] entrar em sua glória?
27. E começando de Moisés, e por todos os profetas, lhes declarava em todas as Escrituras o que estava [escrito] sobre ele.
28. E chegaram à aldeia para onde estavam indo; e ele agiu como se fosse para [um lugar] mais distante.
29. E eles lhe rogaram, dizendo:
Fica conosco, porque já é tarde, e o dia está entardecendo;
E ele entrou para ficar com eles.
30. E aconteceu que, estando sentado com eles [à mesa], tomou o pão, o benzeu, [o] partiu, e o deu a eles.
31. E os olhos deles se abriram, e o reconheceram, e ele lhes desapareceu.
32. E diziam um ao outro:
Por acaso não estava nosso coração ardendo em nós, quando ele falava conosco pelo caminho, e quando nos desvendava as Escrituras?
33. E levantando-se na mesma hora, voltaram para Jerusalém, e acharam reunidos aos onze, e aos que estavam com eles,
34. Que diziam:
Verdadeiramente o Senhor ressuscitou, e já apareceu a Simão.
35. E eles contaram as coisas que [lhes aconteceram] no caminho; e como foi reconhecido por eles quando partiu o pão.
36. E enquanto eles falavam disto, o próprio Jesus se pôs no meio deles, e lhes disse:
Paz [seja] convosco.
37. E eles, espantados, e muito atemorizados, pensavam que viam algum espírito.
38. E ele lhes disse:
Por que estais perturbados, e por que sobem dúvidas em vossos corações?
39. Vede minhas mãos, e os meus pés, que sou em mesmo. Tocai-me, e vede, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vós vedes que eu tenho.
40. E dizendo isto, lhes mostrou as mãos e os pés.
41. E eles, não crendo ainda, por causa da alegria, e maravilhados, [Jesus] disse-lhes:
Tendes aqui alguma coisa para comer?
42. Então eles lhe apresentaram parte de um peixe assado e de um favo de mel.
43. Ele pegou, e comeu diante deles.
44. E disse-lhes:
Estas são as palavras que eu vos disse, enquanto ainda estava convosco, que era necessário que se cumprissem todas as coisas que estão escritas sobre mim na Lei de Moisés, [nos] profetas, e [nos] Salmos.
45. Então ele lhes abriu o entendimento, para que entendessem as Escrituras.
46. E disse-lhes:
Assim está escrito, e assim era necessário que o Cristo sofresse, e que ao terceiro dia ressuscitasse dos mortos;
47. E que em seu nome fosse pregado arrependimento e perdão de pecados em todas as nações, começando de Jerusalém.
48. E destas coisas vós sois testemunhas.
49. E eis que eu envio a promessa de meu Pai sobre vós; porém ficai vós na cidade de Jerusalém, até que vos seja dado poder do alto.
50. E os levou para fora até Betânia, e levantando suas mãos, os abençoou.
51. E aconteceu que, enquanto os abençoava, ele se afastou deles, e foi conduzido para cima ao céu.
52. E eles, adorando-o, voltaram para Jerusalém com grande alegria;
53. E estavam sempre no Templo, louvando e bendizendo a Deus. Amém.



24.10 Maria mãe de Tiago. V. nota em Mc.15:40.

24.11 pareciam não ter sentido; e não creram nelas. Eles estavam tão desanimados e tão incrédulos quanto a uma ressurreição de Jesus que não creram nem no testemunho das mulheres. Somente uma ressurreição real, verdadeira e literal tiraria os apóstolos do desânimo existencial e os tornaria os maiores evangelistas que este mundo já viu, tão destemidos que enfrentaram a perseguição e o martírio, pelo nome de Cristo. A história mostra que todos os discípulos de Jesus à exceção de João morreram martirizados, e ninguém morre por algo que sabe que é uma mentira. Os apóstolos estavam em condição de saber se aquilo era verdade ou mentira, pois viram Jesus morrendo numa cruz e o viram depois de ressurreto. Não inventariam uma estória que não lhes renderia nada além de uma vida repleta de perseguição, ataques e martírio. Como disse Peter Kreeft: “Por que os apóstolos mentiriam? Se eles mentiram, qual foi sua motivação, o que eles obtiveram com isso? O que eles ganharam com tudo isso foi incompreensão, rejeição, perseguição, tortura e martírio. Que bela lista de prêmios!”.

24.16 seus olhos foram retidos. Não seus olhos físicos, mas seus “olhos espirituais”, no sentido de que embora eles vissem Jesus não conseguiam saber que era ele.

24.21 esperávamos que ele fosse aquele que libertaria a Israel. V. nota em Mc.10:32.

24.27 lhes declarava em todas as Escrituras o que estava escrito sobre ele. Jesus não mostrou nenhuma tradição oral ou fonte extra-bíblica, mas provou tudo com base nas Escrituras, sua única regra de fé e prática (v. nota em Mt.15:2).

24.31 os olhos deles se abriram. V. nota em Lc.24:16.

24.36 se pôs no meio deles. Da mesma forma que ele desapareceu instantaneamente (v.31), ele também apareceu milagrosamente (v.36), embora a casa onde os discípulos estavam reunidos estivesse com as portas fechadas (Jo.20:26).

24.37 pensavam que viam algum espírito. Eles definitivamente não estavam vendo um ser imaterial, pois Jesus mostrou estar ali fisicamente presente, incluindo mostrando-lhes as mãos e os pés (v.39). O temor dos discípulos aqui explica-se pelo espanto da mesma forma que ocorreu quando eles pensaram estar vendo um “fantasma” em alto mar (v. nota em Mt.14:26), o que obviamente não significa que eles teologicamente cressem na existência de fantasmas – estavam apenas apavorados. Jesus lhes assegurou que não era um “espírito” (um demônio ou “fantasma”, já que o termo aqui é pejorativo, diferentemente de como seria caso pensassem estar vendo um anjo de Deus), ao pedir que eles tocassem em si (v.39) e ao comer com eles (v.41).

24.39 um espírito não tem carne nem ossos. Como anjos e demônios, e até o próprio Deus (Jo.4:24).

24.49 a promessa de meu Pai. O Espírito Santo (v. nota em Jo.16:13). até que vos seja dado poder do alto. O que aconteceu quando foram batizados com o Espírito Santo (v. nota em At.2:2-4).

24.52 adorando-o. V. nota em Mt.2:11.

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