30 de julho de 2014

Comentários de Lucas 13

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.
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1. E naquele mesmo tempo estavam ali presentes alguns, que lhe contavam dos galileus cujo sangue Pilatos tinha misturado com seus sacrifícios.
2. E respondendo Jesus, disse-lhes:
Vós pensais que estes galileus foram mais pecadores, por terem sofrido estas coisas?
3. Não, eu vos digo; antes, se vós não vos arrependerdes, todos de modo semelhante perecereis.
4. Ou aqueles dezoito, sobre os quais a torre em Siloé caiu, matando-os; pensais que eram mais culpados dos que todos as pessoas que moravam em Jerusalém?
5. Não, eu vos digo; antes, se vós não vos arrependerdes, todos de modo semelhante perecereis.
6. E dizia esta parábola:
Um certo [homem] tinha uma figueira plantada em sua vinha, e veio até ela para buscar fruto, e não achou.
7. E disse ao que cuidava da vinha:
Eis que há três anos, que venho para buscar fruto nesta figueira, e não [o] acho; corta-a; por que ainda ocupa inutilmente a terra?
8. E respondendo ele, disse-lhe:
Senhor, deixa-a [ainda] este ano, até que eu a escave ao redor, e a adube;
9. E se der fruto, [deixa-a ficar]; se não, tu a cortarás depois.
10. E ensinava em uma das sinagogas num sábado.
11. E eis que estava ali uma mulher, que havia dezoito anos que tinha um espírito de enfermidade; e andava encurvada, e de maneira nenhuma ela podia se endireitar.
12. E Jesus vendo-a, chamou-a para si, e disse-lhe:
Mulher, livre estás de tua enfermidade.
13. E pôs as mãos sobre ela, e logo ela se endireitou, e glorificava a Deus.
14. E o chefe da sinagoga, irritado por Jesus ter curado no sábado, respondendo, disse à multidão:
Há seis dias em que se deve trabalhar; nestes dias, pois, vinde para ser curados, e não no dia de sábado.
15. Porém o Senhor lhe respondeu, e disse:
Hipócrita, no sábado cada um de vós não desata seu boi ou jumento da manjedoura, e o leva para dar de beber?
16. E não convinha soltar desta ligadura no dia de sábado a esta [mulher], que é filha de Abraão, a qual, eis que Satanás já a havia ligado há dezoito anos?
17. E ele, dizendo estas coisas, todos seus adversários ficaram envergonhados; e todo o povo se alegrava de todas as coisas gloriosas que eram feitas por ele.
18. E dizia:
A que o Reino de Deus é semelhante? E a que eu o compararei?
19. Semelhante é ao grão da mostarda, que um homem, tomando-o, lançou-o em sua horta; e cresceu, e fez-se uma grande árvore, e as aves dos céus fizeram ninhos em seus ramos.
20. E disse outra vez:
A que compararei o Reino de Deus?
21. Semelhante é ao fermento, que a mulher, tomando-o, o escondeu em três medidas de farinha, até tudo ficar levedado.
22. E andava de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia ensinando, e caminhando para Jerusalém.
23. E disse-lhe um:
Senhor, são também poucos os que se salvam? 
E ele lhes disse:
24. Trabalhai para entrar pela porta estreita; porque eu vos digo, [que] muitos procuraram entrar, e não puderam.
25. Porque quando o chefe da casa se levantar, e fechar a porta, e se estiverdes de fora, e começardes a bater à porta, dizendo:
Senhor, senhor, abre-nos!
E respondendo ele, vos disser:
Não vos conheço, [nem sei] de onde vós sois.
26. Então começareis a dizer:
Em tua presença temos comido e bebido, e tens ensinado em nossas ruas.
27. E ele dirá:
Digo-vos que não vos conheço, [nem sei] de onde vós sois; afastai-vos de mim, vós todos praticantes de injustiça.
28. Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes a Abraão, a Isaque, a Jacó, e a todos os profetas no Reino de Deus; mas vós [sendo] lançados fora.
29. E virão [pessoas] do oriente, e do ocidente, e do norte, e do sul, e se sentarão [à mesa] no Reino de Deus.
30. E eis que há [alguns] dos últimos que serão primeiros, e há [alguns] dos primeiros que serão últimos.
31. Naquele mesmo dia, chegaram uns fariseus, dizendo-lhe:
Sai, e vai-te daqui, porque Herodes quer te matar.
32. E disse-lhes:
Ide, e dizei a aquela raposa: eis que expulso demônios, e faço curas hoje e amanhã, e ao terceiro dia eu terei completado.
33. Porém é necessário que hoje, e amanhã, e no [dia] seguinte eu caminhe; porque um profeta não pode morrer fora de Jerusalém.
34. Jerusalém, Jerusalém, que matas aos profetas, e apedrejas aos que te são enviados: quantas vezes eu quis juntar teus filhos, como a galinha junta seus pintos debaixo de suas azas, e não quisestes?
35. Eis que vossa casa é deixada deserta para vós. E em verdade vos digo, que não me vereis até que venha [o tempo] em que digais:
Bendito aquele que vem no nome do Senhor.




13.3 não, eu vos digo. Entre os judeus havia a mentalidade de que os maus acontecimentos (como doenças, morte prematura, sofrimento ou fatalidades em geral) ocorriam em função do pecado de quem sofreu o dano, como o efeito de uma maldição. Jesus rejeitou fortemente esta tese, tanto aqui como em Jo.9:2 (v. nota). Para ele, aqueles que sofreram horrivelmente nas mãos de Pilatos não eram mais pecadores que os demais, por terem sofrido daquele jeito. Aos olhos de Deus, todos são condenáveis e carecem da Sua infinita graça e misericórdia para serem salvos (Rm.3:23-24). Esta mentalidade ultrapassada já havia sido totalmente superada pela Igreja nos dezenove séculos seguintes, até o surgimento do neopentecostalismo que conseguiu resgatar esta e outras mentalidades distorcidas que eram correntes entre os judeus que rejeitaram Cristo.

13.6-9 A parábola mostra o papel do intercessor. A figueira aqui representa os perdidos, que pelo seu próprio livre-arbítrio decidiram viver longe de Deus. Nós não podemos e nem devemos violar o livre-arbítrio deles, obrigando-os a crer, pois a fé não pode ser coagida, mas deve surgir livremente pela decisão de cada um. Neste caso, o que nós podemos fazer para com os perdidos? Uma das respostas a esta questão está aqui nesta parábola: orar para que Deus lhes dê mais tempo para que se arrependam, antes de serem “cortados” (o que pode ocorrer pela morte ou por rejeitarem todas as oportunidades oferecidas).

13.14 e não no dia de sábado. Não existia nenhuma proibição no AT quanto a cura no sábado, mas os mestres da lei haviam acrescentado tantas tradições extra-bíblicas em torno do sábado que até a cura divina ficou limitada aos demais dias da semana.

13.19 semelhante é ao grão da mostarda. V. nota em Mt.17:20.

13.20 Como no exemplo anterior, o Reino de Deus é comparado a algo que começa pequeno, mas que termina grande. De fato, o Reino foi instaurado por doze discípulos – incluindo um traidor – e hoje já conta com milhões de verdadeiros cristãos espalhados por todo o mundo. 

13.23 serão poucos? A resposta que Cristo dá em seguida mostra que sim, ao dizer que a porta é estreita e que muitos não entrarão nela (v.24).

13.30 últimos que serão primeiros... primeiros que serão últimos. O “primeiro” na terra se contrasta com o “primeiro” na eternidade. Muitos que aqui são os “primeiros” (as autoridades, os ricos, os famosos e celebridades, os mais importantes aos olhos do povo) serão os “últimos” na eternidade, e muitos que aqui são os “últimos” (os mais desprezados, os mais miseráveis, os mais simples, os mais humildes) serão os “primeiros” na eternidade, os que herdarão a vida eterna.

13.32-33 A resposta de Jesus é que dentro de pouco tempo o desejo de Herodes seria consumado, mas que ainda era necessário mais três dias exercendo o ministério, até que chegasse em Jerusalém, onde teria que morrer.

13.34 quantas vezes eu quis juntar teus filhos... e não quisestes. V. nota em Mt.23:37.

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