15 de julho de 2014

Comentários de Mateus 20

_________________________________________________________________

Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.
_________________________________________________________________


1. Porque semelhante é o reino dos céus a um homem chefe de casa, que saiu de madrugada para empregar trabalhadores para sua vinha.
2. E entrando em acordo com os trabalhadores por um dinheiro ao dia, mandou-os à sua vinha.
3. E saindo perto da hora terceira, viu outros, que estavam na praça desocupados.
4. E disse-lhes: 
Ide vós também à vinha, e dar-vos-ei o que for justo. 
E foram.
5. Saindo outra vez perto da hora sexta e nona, fez o mesmo.
6. E saindo perto da hora décima primeira, achou outros que estavam desocupados, e disse- lhes: 
Por que estais aqui o dia todo desocupados?
7. Disseram-lhe eles: 
Porque ninguém nos empregou. 
Disse-lhes ele: 
Ide vós também à vinha, e recebereis o que for justo.
8. E vinda já a tarde, disse o senhor da vinha a seu mordomo: 
Chama aos trabalhadores, e paga-lhes o salário, começando dos últimos até os primeiros.
9. E vindo-os de perto da hora décima primeira, receberam cada um um dinheiro.
10. E vindo os primeiros, pensaram que haviam de receber mais; e também eles receberam cada um um dinheiro.
11. E tomando[-o] murmuravam contra o chefe de casa.
12. Dizendo: 
Estes últimos trabalharam uma [só] hora, e os igualaste conosco, que levamos a carga e o calor do dia.
13. Porém respondendo ele, disse a um deles: 
Amigo, não te faço injustiça; não concordaste tu comigo por um dinheiro?
14. Toma o teu, e vai-te; e quero dar a este último [tanto] como a ti.
15. Ou não me é lícito fazer do meu o que eu quiser? Ou é teu olho mau, porque eu sou bom?
16. Assim os últimos serão primeiros; e os primeiros, últimos; porque muitos são chamados, porém poucos escolhidos.
17. E subindo Jesus a Jerusalém, tomou consigo aos doze discípulos à parte no caminho, e disse-lhes:
18. Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos chefes dos sacerdotes, e aos escribas, e o condenarão à morte.
19. E o entregarão aos gentios, para que dele escarneçam, e o açoitem, e crucifiquem; e ao terceiro dia ressuscitará.
20. Então se chegou a ele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando[-o], e pedindo-lhe alguma coisa.
21. E ele lhe disse: 
Que queres? 
Disse-lhe ela: 
Dize que estes meus dois filhos se sentem, um à tua direita, e outro à tua esquerda em teu Reino.
22. Porém respondendo Jesus, disse: 
Não sabeis o que pedis; podeis vós beber o copo que eu beberei, e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado? 
Disseram-lhe eles: 
Podemos.
23. E ele lhes disse: 
Em verdade que meu copo bebereis, e com o batismo com que eu sou batizado sereis batizados; mas sentar-se à minha direita, e à minha esquerda, não é meu concedê-lo, mas sim aos que por meu Pai está preparado.
24. E quando os dez ouviram [isto], irritaram-se contra os dois irmãos.
25. Então, chamando-os Jesus a si, disse: 
Bem sabeis que os chefes dos gentios os controlam, e os grandes usam sobre eles de autoridade.
26. Mas entre vós não será assim; mas qualquer que entre vós se quiser fazer grande, seja vosso trabalhador.
27. E qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo.
28. Assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas sim para servir, e para dar sua vida [em] resgate por muitos.
29. E saindo eles de Jericó, seguiu-o grande multidão.
30. E eis que dois cegos assentados junto ao caminho, ouvindo que Jesus passava, clamaram, dizendo: 
Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós.
31. E a multidão os repreendia, para que se calassem; mas eles clamavam ainda mais, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós.
32. E parando Jesus, chamou-os, e disse: 
Que quereis que vos faça?
33. Disseram-lhe eles: 
Senhor, que nossos olhos sejam abertos.
34. E movendo-se Jesus à íntima compaixão deles, tocou-lhes os olhos; e logo seus olhos viram, e o seguiram.




20.1-15 A parábola ensina que o que Deus levará em consideração no dia do Juízo não é a quantidade do trabalho, mas a qualidade do trabalho. A pessoa que já nasceu em lar cristão e que serviu a Cristo por toda a vida não levará vantagem sobre aquela pessoa que esteve na ignorância por muito tempo e que se converteu quando já era adulta. A recompensa existe (Ap.22:12; 1Co.3:14), mas ela não é de acordo com o tempo em que alguém esteve na fé, mas sim o que ela fez pela fé durante o período em que esteve na fé. Aquele que sempre foi cristão mas nunca se empenhou tanto na oração e evangelismo leva desvantagem sobre aquele que se converteu muito tempo depois, mas que dali em diante se empenhou na prática da busca a Deus e deu o melhor de si.

20.20 adorando-o. V. nota em Mt.2:11.

20.22 podemos. Jesus estava se referindo ao batismo no sofrimento (o texto no grego está no tempo contínuo, e não no passado, como seria caso estivesse se referindo ao batismo nas águas), mas possivelmente Tiago e João não compreenderam. Curiosamente, Tiago foi o primeiro apóstolo a morrer (morto a espada por Herodes – At.12:2), e João o último (próximo ao final do século I).

20.23 mas sim aos que por meu Pai está preparado. O interessante é que Tiago e João iriam de fato se sentar junto aos demais apóstolos nos doze tronos preparados por Deus (Mt.19:28), mas não em exclusividade. O erro deles foi terem se precipitado e, por orgulho, quererem os tronos só pra eles, um à esquerda e outro à direita de Cristo. Embora a nossa recompensa venha, nosso dever é de viver para Deus visando Ele, e não a recompensa. Ela deve ser a consequencia do trabalho desempenhado, e não a razão deste trabalho.

20.26 mas entre vós não será assim. Entre eles não haveria um líder máximo, como havia entre os governantes das nações. Essa analogia mostra claramente que Cristo não confiava um primado jurisdicional a Pedro em liderança eclesiástica sobre todos os demais cristãos (como um papa), porque isso o colocaria como autoridade sobre eles, da mesma forma que governantes dos gentios são autoridade sobre os gentios. O contraste deixa nítido que entre os apóstolos havia igualdade, e não uma autoridade maior governando os demais. Se Jesus concordasse com o domínio que o papa exerce sobre os demais (clérigos e leigos), então ele teria dito exatamente o contrário, isto é, que Pedro seria líder dentre eles, assim como os governantes das nações eram líderes dentre eles. O fato de Cristo não acentuar autoridade, mas igualdade, nos mostra de forma muito clara que, realmente, não existiria uma superioridade entre eles.

20.28 dar sua vida em resgate por muitos. “Muitos” neste texto está em contraste com “poucos”, e não com “todos”. O texto não está dizendo que Jesus não morreu por todos, mas que ele não morreu por poucos. O ensino bíblico unânime é de que Cristo morreu por todos (Hb.2:9; 1Tm.2:5-6).

0 comentários:

Postar um comentário

O seu comentário passará por moderação e em seguida será exibido ao público.