15 de julho de 2014

Comentário de Mateus 9

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.

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1. E entrando no barco, passou para a outra margem, e veio a sua própria cidade. E eis que lhe trouxeram um paralítico, deitado em uma cama.
2. E Jesus, tendo visto a fé deles, disse ao paralítico: 
 Tem bom ânimo, filho, teus pecados te são perdoados.
3. E eis que alguns dos escribas diziam entre si: 
 Este blasfema.
4. E vendo Jesus seus pensamentos, disse: 
 Por que pensais mal em vossos corações?
5. Porque o que é mais fácil dizer: 
 [Teus] pecados te são perdoados? 
 Ou dizer: 
 Levanta-te, e anda?
6. E para que saibais que o Filho do homem tem autoridade na terra para perdoar os pecados, (Ele então disse ao paralítico): 
 Levanta-te, toma tua leito, e vai para tua casa.
7. E tendo se levantando, foi para sua casa.
8. E as multidões, tendo visto [isto], maravilharam-se, e glorificaram a Deus, que tinha dado tal autoridade aos homens.
9. E Jesus, passando dali, viu um homem sentado na coletoria de impostos, chamado Mateus; e disse-lhe: 
 Segue-me. 
E ele, levantando-se, o seguiu.
10. E aconteceu que, estando ele sentado [à mesa] na casa, eis que vieram muitos cobradores de impostos e pecadores, e se sentaram juntamente [à mesa] com Jesus e seus discípulos.
11. E os fariseus, tendo visto [isto], disseram a seus discípulos: 
 Por que vosso Mestre come com cobradores de impostos e pecadores?
12. Porém Jesus, ao ouvir [a pergunta], disse-lhes: 
 Os que estão sãos não necessitam de médico, mas sim os que estão doentes.
13. Mas ide, e aprendei que coisa é: 
 Quero misericórdia, e não sacrifício. 
 Porque eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores ao arrependimento.
14. Então vieram a ele os discípulos de João, dizendo: 
 Por que nós e os fariseus jejuamos muitas vezes, mas teus discípulos não jejuam?
15. E Jesus lhes disse: 
 Por acaso podem os convidados do casamento andar tristes enquanto o noivo está com eles? Mas dias virão, quando o noivo lhes for tirado, e então jejuarão.
16. E ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha; porque tal remendo rasga a roupa, e o rasgo se torna pior.
17. Nem põem vinho novo em odres velhos; pois senão os odres se rompem, o vinho se derrama, e os odres se perdem; mas põem o vinho novo em odres novos, e ambos juntamente se conservam.
18. Enquanto ele lhes dizia estas coisas, eis que veio um chefe [de sinagoga] e o adorou, dizendo: 
 Minha filha faleceu ainda agora; mas vem, e põe tua mão sobre ela, e ela viverá.
19. E Jesus, tendo se levantado, seguiu-o com seus discípulos.
20. (E eis que uma mulher enferma de um fluxo de sangue havia doze anos, vindo por detrás [dele], tocou a borda de sua roupa.
21. Porque dizia consigo mesma: 
 Se eu tão somente tocar a roupa dele, ficarei saudável.
22. E Jesus, virando-se e a vendo, disse: 
 Tem bom ânimo, filha, tua fé te curou. 
E desde aquela mesma hora a mulher ficou com saúde.)
23. E Jesus, tendo vindo à casa daquele chefe, e vendo os tocadores de flauta e a multidão que fazia tumulto,
24. Disse-lhes: 
 Retirai-vos, porque a menina não morreu; mas está dormindo. 
E riram dele.
25. E quando a multidão foi tirada daquele lugar, ele entrou, pegou a mão dela, e a menina se levantou.
26. E esta notícia se espalhou por toda aquela terra.
27. E Jesus, ao sair dali, dois cegos o seguiram, clamando e dizendo: 
 Tem compaixão de nós, Filho de Davi!
28. E ele, vindo para casa, os cegos vieram até ele. E Jesus lhes disse: 
 Credes vós que posso fazer isto? 
Eles lhe disseram: 
 Sim, Senhor.
29. Então lhes tocou os olhos, dizendo: 
 Conforme a vossa fé seja vos feito.
30. E os olhos deles se abriram. E Jesus os advertiu severamente, dizendo: 
 Observai para que ninguém saiba [disso].
31. Porém eles, tendo saído, divulgaram [esta] notícia sobre ele por toda aquela terra.
32. E tendo eles saído, eis que lhe trouxeram um homem mudo e endemoninhado.
33. E quando o demônio foi lançado fora, o mudo passou a falar; e as multidões se maravilharam, dizendo: 
 Nunca se viu algo assim em Israel!
34. Mas os fariseus diziam: 
 Ele expulsa os demônios pelo chefe dos demônios.
35. E Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando em suas sinagogas, e pregando o Evangelho do Reino, e curando toda enfermidade e toda doença entre o povo.
36. E ele, ao ver as multidões, comoveu-se com delas, porque andavam fracas e dispersas, como ovelhas que não têm pastor.
37. Então Jesus disse a seus discípulos: 
 Verdadeiramente a ceifa é grande, porém os trabalhadores são poucos.
38. Portanto orai ao Senhor da ceifa, para que envie trabalhadores à sua ceifa.


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9.1 sua própria cidade. Cafarnaum.

9.3 este blasfema. A “blasfêmia” consistia no fato de que só Deus pode perdoar pecados, e Jesus era um ser humano. Eles não sabiam que Cristo havia recebido a autoridade de perdoar pecados diretamente do Pai (v.8).

9.12 os sãos não necessitam de médico. Ele não estava dizendo que os fariseus eram “sãos”, pois os chamou de “raça de víboras” (Mt.23:33), “serpentes” (Mt.23:33) e “sepulcros caiados” (Mt.23:27). Eram os fariseus que não se reconheciam como pecadores que necessitavam da graça de Deus e de arrependimento – como os publicanos reconheciam. Todos precisam reconhecer seus próprios pecados para se arrepender deles e ser curado.

9.15 Jesus não estava sendo contra o jejum, mas disse que seus discípulos jejuariam depois que ele fosse “tirado” (morto). Antes de designarem os presbíteros em cada igreja, Paulo e Barnabé jejuaram (At.14:23). Paulo também testemunha que ficou “muitas vezes em jejum” (2Co.11:27). O próprio Senhor Jesus disse que para expulsar certas espécies de demônio é necessário, além da oração, o jejum (Mc.9:29). O jejum é um elemento importante para a mortificação da carne, como Jesus fez no deserto, antes de ser tentado (Mt.4:2).

9.17 vinho novo em odres novos. V. nota em Mc.2:22.

9.18 e o adorou. V. nota em Mt.2:11.

9.22 tua fé te curou. Não foi o toque em si que curou a mulher, mas a fé que ela teve ao tocar em Jesus.

9.24 está dormindo. V. nota em Jo.11:11.

9.36 ovelhas que não têm pastor. Embora a multidão seguisse Jesus, ele não se considerava o pastor delas. Elas não tinham pastor. Jesus era pastor dos doze, e não de toda a multidão. Pastorear implica em comunhão e proximidade com cada pessoa, coisa que ele não podia fazer com todos, mas apenas com um grupo limitado escolhido por ele, os doze. Pastorear não é apenas ensinar e curar – coisas que Jesus fazia –, mas é acompanhar de perto cada pessoa, suas preocupações, sua vida espiritual, seus problemas, seus inquietações, pastoreando e cuidando de cada pessoa em especial. Como Jesus era um só, era necessário que mais trabalhadores (pastores) fizessem parte da ceifa (Igreja), para que cada pessoa daquela multidão tivesse um pastor cuidando dela (vs.37-38).

Este cenário se repete em muitas igrejas, onde o pastor é praticamente uma autoridade única ali dentro, mas pela grande quantidade de membros torna-se impossível conseguir pastorear cada uma delas. Por isso, muitos convertidos se sentem sozinhos, mesmo em meio à multidão, sentindo a falta de alguém mais próximo, que sirva de “tutor na fé” (1Co.4:15). Algumas denominações resolveram este problema com o sistema de células, onde pequenos grupos dentro de uma comunidade maior se reúnem sob o pastoreio de alguém da confiança do pastor da igreja, e estes líderes de célula podem trabalhar mais de perto com os problemas de cada pessoa, acompanhando o desenvolvimento espiritual de cada uma delas. Mesmo para aqueles que não trabalham com células, é importante que cada recém-convertido seja pastoreado por alguém mais experiente, como ocorria na igreja primitiva (Gl.6:6). É a falta de atenção de nossa parte que afasta muitos dos recém-convertidos. De nada adianta levantar a mão para aceitar Jesus em um momento, se não há um pastoreio que dê continuidade a esta conversão, deixando a pessoa desnorteada, cheia de dúvidas e sem ninguém para ajudá-la a crescer.

9.38 orai ao Senhor da ceifa. É interessante notar que, embora teoricamente o senhor da ceifa seja o primeiro interessado a obter trabalhadores para a sua própria ceifa, somos nós que temos que pedir a ele para que ele envie trabalhadores para a sua ceifa dele mesmo. Isso nos mostra claramente a importância fundamental da oração intercessória. Deus poderia fazer tudo sozinho e por conta própria – incluindo enviar evangelistas por todas as partes do mundo –, mas ele decidiu condicionar tudo às orações dos crentes. É a nossa oração que liga e desliga no mundo espiritual (Mt.18:19-20; Jo.14:13), e é através dela que o Reino de Deus cresce sobre a terra. Nós não temos que esperar que Deus levante evangelistas, missionários ou pastores; nós temos que orar para que Deus levante evangelistas, missionários e pastores.

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