15 de maio de 2015

Comentários de João 8

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.
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1 Porém Jesus foi para o monte das Oliveiras. 
2. E pela manhã cedo voltou ao Templo, e todo o povo veio a ele; e sentando-se, ensinava-os. 
3. E trouxeram-lhe os escribas e fariseus uma mulher tomada em adultério; 
4. E pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi tomada no momento em que estava adulterando. 
5. E na Lei nos mandou Moisés, que as tais sejam apedrejadas; tu pois que dizes? 
6. E isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas inclinando-se Jesus, escrevia com o dedo na terra. 
7. E enquanto continuavam lhe perguntando, ele se endireitou, e disse-lhes: Aquele de vós que está sem pecado, [seja] o primeiro que atire pedra contra ela. 
8. E voltando a se inclinar, escrevia na terra. 
9. Porém ouvindo eles [isto] , e acusados pela [própria] consciência, saíram um a um, começando dos mais velhos até os últimos; e Jesus ficou só, e a mulher, que estava no meio. 
10. E endireitando-se Jesus, e não vendo a ninguém além da mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? 
11. E disse ela: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai, e não peques mais. 
12. Falou-lhes pois Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me seguir não andará em trevas, mas terá luz de vida. 
13. Disseram-lhe pois os Fariseus: Tu testemunhas de ti mesmo; teu testemunho não é verdadeiro. 
14. Respondeu Jesus, e disse-lhes: Ainda que eu testemunho de mim mesmo, meu testemunho é verdadeiro; porque sei de onde vim, e para onde vou; porém vós não sabeis, de onde venho, nem para onde vou. 
15. Vós julgais segundo a carne, eu não julgo a ninguém. 
16. E se eu também julgo, meu juízo é verdadeiro; porque não sou eu só, mas eu, e o Pai que me enviou. 
17. E também em vossa Lei está escrito que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro. 
18. Eu sou o que testemunho de mim mesmo; e [também] de mim testemunha o Pai, que me enviou. 
19. Disseram-lhe pois: Onde está teu Pai? Respondeu Jesus: Nem a mim me conheceis, nem a meu Pai; se vós a mim conhecêsseis, também conheceríeis a meu Pai. 
20. Estas palavras falou Jesus junto à arca do tesouro, ensinando no Templo; e ninguém o prendeu, porque sua hora ainda não era chegada. 
21. Disse-lhes pois Jesus outra vez: Eu me vou, e me buscareis, e morrereis em vosso pecado; para onde eu vou vós não podeis vir. 
22. Diziam, pois, os Judeus: Ele, por acaso, matará a si mesmo? Pois diz: Para onde eu vou vós não podeis vir. 
23. E ele lhes dizia: Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. 
24. Por isso eu vos disse, que morrereis em vossos pecados; porque se não credes que eu sou, morrereis em vossos pecados. 
25. Disseram-lhe pois: Quem és tu? Jesus lhes disse: [Sou] o mesmo que desde o princípio tenho vos dito. 
26. Muitas coisas tenho que dizer e julgar de vós; mas verdadeiro é aquele que me enviou; e eu o que dele tenho ouvido, isso falo ao mundo. 
27. Mas] não entenderam que ele estava lhes falando do Pai. 
28. Jesus, então, lhes disse: Quando levantardes ao Filho do homem, então entendereis que eu sou, e [que] nada faço de mim mesmo; mas isto digo, como meu Pai me ensinou. 
29. E aquele que me enviou está comigo. O Pai não me tem deixado só, porque sempre faço o que lhe agrada. 
30. Falando ele estas coisas, muitos creram nele. 
31. Dizia, pois, Jesus aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes em minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos. 
32. E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. 
33. Responderam-lhe: Somos semente de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como, [então] , tu dizes: Sereis livres? 
34. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo, que todo aquele que faz pecado, servo é do pecado. 
35. E o servo não fica em casa para sempre; o Filho fica para sempre. 
36. Portanto, se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. 
37. Bem sei que sois semente se Abraão; porém procurais matar-me, porque minha palavra não cabe em vós. 
38. Eu, o que vi junto a meu Pai, [isso] falo; e vós, o que também vistes junto a vosso pai [isso] fazeis. 
39. Responderam, e lhe disseram: Nosso pai é Abraão. Disse-lhes Jesus: Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão. 
40. Porém agora procurais matar a mim, o homem que tenho vos falado a verdade que de Deus tenho ouvido; Abraão não fez isto. 
41. Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe pois: Nós não somos nascidos de pecado sexual; nós temos um Pai: Deus. 
42. Disse-lhes pois Jesus: Se Deus fosse vosso Pai, verdadeiramente me amaríeis; porque eu saí e venho de Deus; pois não vim de mim mesmo, porém ele me enviou. 
43. Por que não entendeis meu discurso? Porque não podeis ouvir minha palavra. 
44. Vós sois [filhos] de [vosso] pai, o Diabo, e quereis fazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio, e não permaneceu na verdade, porque nele não há verdade; quando fala mentira, fala do seu próprio; porque é mentiroso, e pai da [mentira] . 
45. Porém a mim, porque [vos] digo a verdade, não credes em mim. 
46. Quem de vós me convence de pecado? E se digo a verdade, por que não credes em mim? 
47. Quem é de Deus, ouve as palavras de Deus; portanto vós não [as] ouvis porque não sois de Deus. 
48. Responderam, pois, os Judeus, e lhe disseram: Nós não dizemos com razão que és samaritano, e tens o demônio? 
49. Respondeu Jesus: Eu não tenho demônio, antes honro a meu Pai; e vós me desonrais. 
50. Mas eu não busco minha glória; há quem a busque, e julgue. 
51. Em verdade, em verdade vos digo, que se alguém guardar minha palavra, jamais verá a morte. 
52. Disseram-lhe pois os Judeus: Agora conhecemos que tens o demônio. Abraão e os profetas morreram; e tu dizes: Se alguém guardar minha palavra, jamais experimentará a morte. 
53. És tu maior que nosso pai Abraão, que morreu? Os profetas também morreram. Quem tu dizes ser? 
54. Respondeu Jesus: Se eu me glorifico a mim mesmo, minha glória é nada; meu Pai, o qual vós dizeis ser vosso Deus, ele é o que me glorifica. 
55. E vós não o conheceis, mas eu o conheço; e se disser que não o conheço, serei mentiroso como vós; mas eu o conheço, e guardo sua palavra. 
56. Abraão, vosso pai, saltou de alegria por ver o meu dia; ele viu, e se alegrou. 
57. Disseram-lhe, pois. os Judeus: Ainda não tens cinquenta anos, e viste a Abraão? 
58. Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo, que antes que Abraão fosse, eu sou. 
59. Então tomaram pedras para atirarem nele. Mas Jesus se escondeu, e saiu do Templo, atravessando por meio deles, e assim se foi.




8.3-11 Estes versos, que contam a misericórdia de Jesus para com a mulher adúltera, não estão presentes nos melhores, mais importantes e mais antigos manuscritos bíblicos que são utilizados pela Crítica Textual na tentativa de resgatar o original do NT, e são rejeitados pelos teólogos e estudiosos que trabalham com a Crítica Textual. O relato aqui presente provavelmente despontou como uma tradição oral daquilo que teria sido pregado por Jesus, e algum escriba achou por bem incluir essa história nos relatos de Jesus no evangelho. Por isso, alguns manuscritos incluem essa história em João 8:1-11, enquanto outros o incluem em Lucas 21:38. Foi uma forma de tentar incluir nos evangelhos – em algum lugar – um relato bem possivelmente real sobre Jesus que teria sobrevivido apenas por meio da tradição oral. Quem o fez o fez com boas intenções, mas não fez certo. A história pode ser verdadeira, mas tal passagem não está originalmente no evangelho de João, não faz parte dos originais da Bíblia. Mesmo assim, é importante observar que não há nada neste relato que entre em contradição com o restante das Escrituras, isto é, do original grego do NT. O relato mostra Jesus exercendo misericórdia para com uma pecadora, algo que é uma ênfase nos evangelhos, principalmente no de João. O fato de estes versos não estarem nos originais não atesta em nada contra a inspiração da Bíblia, nem contra a fé de ninguém. Também não representam grande dificuldade à Crítica Textual, uma vez que há praticamente unanimidade a este respeito, e que podemos chegar com uma enorme precisão ao original do NT com base nos mais de cinco mil manuscritos gregos antigos e de outros milhares escritos em outros idiomas nos primeiros séculos – algo imbatível e sem comparação com nenhuma outra obra antiga já escrita pelo homem.

8.5 na Lei nos mandou Moisés, que as tais sejam apedrejadas. Eles estavam dizendo apenas meia verdade. A lei também preceituava que o homem pego em adultério fosse apedrejado (Lv.20:10; Dt.22:22), mas eles pouparam o homem.

8.7 aquele de vós que está sem pecado. Jesus os colocou em uma situação mais difícil do que a que foi colocado. Era fato que aquela mulher era pecadora, mas e quanto a eles? Seriam mais justos? Estariam em uma posição de mérito diante de Deus? Ou eram também meros pecadores, ansiosos em ver outro pecador morrer? Cristo os levou a uma auto-reflexão onde os acusadores daquela mulher perceberam que eram tão pecadores quanto ela, e da mesma forma tão carentes da graça e da misericórdia de Deus. O resultado deste peso na consciência foi que Jesus não precisou se opor à lei para fazer com que aquelas pessoas não a apedrejassem.

8.8 escrevia na terra. Por mais que muitos tenham especulado acerca do que foi que Jesus escreveu na terra, a verdade é que não é possível saber ao certo. Uma possibilidade mais plausível, no entanto, é que tenha alguma relação com o texto de Jeremias, que diz: “Ó Senhor, esperança de Israel! Todos aqueles que te deixam serão envergonhados; o nome dos que se apartam de ti será escrito no chão, porque abandonam o Senhor, a fonte das águas vivas” (Jr.17:13).

8.11 nem eu também te condeno. Jesus era o único que estava na condição de “sem pecado”, que ele colocou como requisito para o apedrejamento, e, por este ponto de vista, era o único que poderia exercer juízo contra aquela mulher e condená-la. No entanto, ele também lhe concedeu uma nova chance de mudar de vida e de “nascer de novo”. vai, e não peques mais. Cristo não disse simplesmente: “vá em paz”; ou então: “vá e continue vivendo como antes”; mas sim: “vá, e não peques mais”. Algo semelhante ao que ele disse ao paralítico: “não volte a pecar, para que algo pior não lhe aconteça” (Jo.5:14). O propósito do perdão e da misericórdia de Deus não é permitir que a pessoa continue pecando como antes, mas é lhe conceder uma nova oportunidade de mudar de vida, antes que seja tarde demais. Quando a pessoa é perdoada mas volta a praticar as mesmas coisas que antes, ela é comparada à “porca lavada voltou a revolver-se na lama” (2Pe.2:22) e ao “cão que voltou ao seu vômito” (2Pe.2:22) – o que mostra que de nada lhe valeu.

8.12 eu sou a luz do mundo. V. nota em Jo.1:8.

8.19 se vós a mim conhecêsseis, também conheceríeis a meu Pai. Jesus é “o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser” (Hb.1:3), e, portanto, quem vê a Jesus vê a Deus (Jo.14:9), e quem conhece o Filho também conhece o Pai. “Conhecer” aqui está no sentido de relacionar-se, de ter comunhão com Deus. Aqueles que têm comunhão com o Filho também tem comunhão com o Pai (1Jo.1:3), e “o que nega o Filho também não tem o Pai; quem confessa publicamente o Filho tem também o Pai” (1Jo.2:23). É impossível separar uma coisa da outra.

8.22 vós não podeis vir. V. nota em Jo.13:33.

8.23 eu sou de cima... eu não sou deste mundo. V. nota em Jo.1:15.

8.24 eu sou. V. nota seguinte e em Jo.8:58.

8.25 quem és tu? Jesus havia dito: “eu sou” (v.24), mas não acrescentou nada depois. Os judeus então estavam dizendo algo como: “você é o que?”. Jesus não lhes deu resposta além de dizer que ele é aquilo que já havia dito que era (v.25), porque a própria expressão eu sou já definia quem ele era. Esta foi a mesma expressão usada por Deus no AT para se definir: “Eu Sou o que Sou. É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês” (Êx.3:14). Portanto, Deus é o “EU SOU”, e Jesus se identificou como sendo o “EU SOU”. Jesus não estava dizendo que era alguma coisa que deixou incompleto (ex: “eu sou...?”), mas estava se definindo com a própria expressão “eu sou” (v. nota em Jo.8:58). Não havia nada para ser adicionado, já que toda a resposta já se encontrava dentro da própria expressão por ele utilizada.

8.28 quando levantardes ao Filho do homem. I.e, quando Jesus fosse ressuscitado dos mortos. então entendereis que eu sou. Mais uma vez Jesus não diz o que ele era, porque a própria expressão “eu sou” já era a resposta (v. nota anterior e no v.58). nada faço de mim mesmo. I.e, Jesus não fazia nada por sua própria vontade, mas estava apenas para obedecer a vontade do Pai celestial. Este conflito entre a vontade do Jesus homem com a vontade de Deus no Céu se vê mais claramente no relato de Lc.22:42 (v. nota), onde Cristo expressa o mesmo princípio aqui declarado, sobre sujeitar a sua vontade à vontade do Pai.

8.32 conhecereis a verdade. O texto mostra a necessidade da perseverança contínua em conhecer a Deus por parte daqueles que já creem em Cristo, e não somente por aqueles que ainda estão na ignorância. No verso anterior Jesus responde àqueles judeus que creram nele (v.31), e diz para permanecerem em sua palavra, dizendo que aí sim serão seus discípulos, conhecerão a verdade e serão libertos. A liberdade, portanto, não é um acontecimento imediatamente simultâneo à conversão, mas é um processo que ocorre a partir da conversão e que implica em perseverança contínua na fé e em conhecer e prosseguir conhecendo a Deus.

8.33 nunca servimos a ninguém. Jesus estava falando de sermos livres do pecado (v.34), mas eles entenderam que estava se referindo a uma escravidão a alguém.

8.34 todo aquele que faz pecado, servo é do pecado. Uma tradução mais precisa seria: “Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado” (NVI). Jesus não estava falando de pecados involuntários ou ocasionais (o que qualquer cristão comete, pois ninguém é perfeito), mas de alguém que vive no pecado, que está em condição de pecado. Esta pessoa se faz serva do pecado, porque se torna prisioneira dele e não consegue deixar esta condição mesmo se não quiser mais continuar vivendo daquela maneira. Por exemplo, alguém que começa a experimentar as drogas e torna-se viciado passa a ficar aprisionado neste vício e dificilmente consegue deixar as drogas com facilidade. Há uma luta pela liberdade quando a pessoa acorda para a vida e decide deixar as drogas, e somente com Deus na causa há alguma possibilidade de liberdade. A mesma coisa ocorre com vários outros tipos de pecado, como o alcoolismo, o fumo, a pornografia, etc. O cristão, por sua vez, está numa condição de liberdade, pois se vê livre dos vícios e tem domínio sobre o seu próprio corpo e vontade, sem se deixar ser dominado pelos impulsos carnais.

8.35 o servo não fica em casa para sempre. I.e, se a pessoa não deixar o estado de servidão ao pecado ela será cortada do Reino e da salvação.

8.36 verdadeiramente sereis livres. A verdadeira liberdade só se encontra em Cristo (v. nota em Jo.8:34).

8.37 bem sei que sois semente de Abraão. Em sentido físico (de descendência natural), mas não em sentido espiritual (v.39).

8.38 junto a vosso pai. O demônio, de quem eles eram “filhos” em sentido espiritual (v.44).

8.41 não somos nascidos de pecado sexual. I.e, “não somos filhos ilegítimos” (NVI). O “filho legítimo” era aquele que não nascia por porneia, isto é, por relações sexuais ilícitas.

8.44 homicida desde o princípio. I.e, desde o princípio da criação dos céus e da terra, ou mais precisamente desde quando Satanás é "Satanás" (opositor), já que no início o ser que hoje é chamado de diabo era um anjo de luz que foi expulso do Céu por ter sido tomado pelo orgulho e rebeldia (v. notas em Lc.10:18 e em Ap.12:4-9). Isto é corroborado pela continuação do verso, que diz que o diabo não permaneceu na verdade. Se ele não “permaneceu” na verdade é porque um dia esteve na verdade, pois só alguém que um dia esteve na verdade pode não permanecer nela, uma vez que “permanecer” significa seguir, manter ou conservar algo; “continuar seguro e são” (Strong, 2476), “ser mantido íntegro” (ibid).

8.46 me convence de pecado. Uma tradução mais correta seria: “Qual de vocês pode me acusar de algum pecado?” (NVI). Jesus sabia e reconhecia que era imaculado, isto é, sem pecado.

8.48 és samaritano. Os samaritanos eram mal vistos pelos judeus e viviam em rivalidade com eles (v. nota em Lc.10:29), e por essa razão o termo pejorativo, que soava como uma ofensa.

8.51 jamais verá a morte. V. nota em Jo.6:50.

8.52 Abraão e os profetas morreram. Jesus estava falando da morte espiritual (daqueles que estão vivendo no pecado), mas os judeus entenderam que falava da morte física (a qual Abraão e os profetas passaram).

8.56 Abraão saltou de alegria por ver o meu dia; ele viu, e se alegrou. Jesus não disse que Abraão “está vendo” (no tempo presente) o seu dia, mas sim que “viu” (no passado) este dia. Obviamente ele não viu pelos olhos naturais, mas pelos espirituais (através da fé). Por essa razão ele é conhecido como o “pai da fé”.

8.58 antes que Abraão fosse, eu sou. O verso não apenas mostra que Jesus existia antes de Abraão (provando sua pré-existência), como também mostra que ele era o próprio “EU SOU”, o Deus Todo-Poderoso (v. nota em Jo.8:25). Uma evidência que corrobora fortemente com isso é o fato de que se Cristo quisesse apenas dizer que existia antes de Abraão teria dito que “antes que Abraão existisse eu era”, e não que “antes que Abraão existisse eu sou”. A expressão “eu sou” [eimi] em lugar de “eu era” [emen] é anti-gramatical neste contexto, mas João fez questão de usá-la aqui mesmo assim, pois sabia que Jesus não estava somente fazendo menção à sua pré-existência, mas também ao próprio título de “EU SOU”, aplicado a Deus no AT (Êx.3:14). Em outras palavras, o verso em questão não apenas atesta a pré-existência de Cristo (“eu era”), mas também sua auto-existência (“eu sou”), como sendo o Deus que não apenas era ou será, mas que sempre existiu, em um eterno “agora” – Ele é o que é (Êx.3:14; Is.48:12). Corrobora também com isso o fato de que os judeus pegaram pedras para apedrejá-lo (v.59), por crerem que ele estava blasfemando – o que mostra que eles conheciam perfeitamente o significado de “EU SOU” nas Escrituras.

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